Enquanto hábitos de música retornam ao normal, consumo de podcasts no Spotify dobrou no último trimestre

Relatório trimestral da plataforma aponta ainda perdas na altura de 356 milhões de euros, mesmo com a manutenção do número de assinantes e usuários ativos

por Pedro Strazza

O Spotify divulgou nesta quarta-feira (29) os primeiros resultados do último trimestre fiscal, que revelam que a aposta da companhia em podcasts continua a compensar. Embora o número de usuários ativos que ouvem os programas tenha crescido apenas entre 19% e 21%, o relatório mostra que a quantidade de conteúdo da área consumido por este público mais do que dobrou nos últimos meses, um indício de que a plataforma solidificou a presença de parte da audiência em seu ecossistema.

A notícia é ótima para os planos de publicidade da companhia com os podcasts, mesmo que esta fonte de renda ainda represente um porcentual menor na receita. Como nos meses anteriores, o Spotify manteve uma agenda de investimentos e expansões na área neste trimestre que culminou no acordo de exclusividade com o programa de Joe Rogan, a estreia do podcast de Michelle Obama e o negócio para a produção de originais exclusivos inspirados em personagens da DC Comics. Houveram muitas atualizações que aumentaram a presença dos podcasts na plataforma, incluindo a ferramenta de vídeo e as listas de mais escutados.

O crescimento dos podcasts também chega num momento em que o Spotify começa a ver seu negócio retornar à normalidade pré-pandemia. Embora a companhia relate perdas da altura dos 356 milhões de euros durante estes três meses, houve um aumento de 29% no número de usuários ativos na plataforma em relação a 2019, o que na prática significa que o serviço agora conta com 299 milhões de assinantes que diariamente utilizam o streaming.

O mais interessante, porém, é a constatação de que os hábitos de consumo estão mudando mais uma vez. Se no relatório anterior o Spotify chegou a comentar que “todo dia agora parece o fim de semana”, a partir do fim de junho a companhia relata que as horas de consumo da plataforma voltaram aos índices anteriores ao distanciamento social nas regiões do mundo onde a pandemia está sob controle – na Europa e na Ásia, ou seja. A América Latina, por sua vez, vive um momento esquizofrênico: ainda que a região possua um dos maiores índices de crescimento do globo (33% na taxa anual de aumento do número de assinantes), o continente neste trimestre apresentou máximas de consumo que estão ainda 6% abaixo do habitual.

Isso não quer dizer que as pessoas voltaram a usar o Spotify do mesmo jeito que utilizavam antes do isolamento, porém. O relatório comenta como exemplo o uso da plataforma em carros, que ainda é pequeno comparado às taxas exibidas antes do início da pandemia mesmo voltando a exibir índices de crescimento similares ao começo de 2020.

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