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Em esforço de transparência, TikTok vai permitir que especialistas acessem seu algoritmo

Anúncio da abertura acontece a tempo de audiência no Congresso dos EUA envolvendo CEOs do Facebook, Google, Amazon e Apple, que devem usar rede social de exemplo da "guerra ideológica da rede"

por Pedro Strazza

Além das críticas bastante severas sobre a concorrência, o CEO Kevin Mayer aproveitou uma publicação no blog oficial do TikTok nesta quarta (29) para anunciar algumas medidas que buscam aumentar a transparência da plataforma. Isso inclui a decisão surpreendente da plataforma de abrir ainda mais o acesso a seu algoritmo e a permissão a especialistas de observar “em tempo real as políticas de moderação”, nas palavras do executivo.

No post, Mayer não apenas desafia a concorrência a seguir os passos como afirma que a rede social acredita que “Todas as empresas deveriam abrir o acesso de seus algoritmos, políticas de moderação e fluxo de dados a reguladores” e que o TikTok “não vai esperar a regulação chegar” e sim dar o primeiro passo para a formação do que ele chama de “Central de Transparência e Responsabilidade” da plataforma.

As declarações do executivo não apenas são corroboradas por medidas anunciadas pela rede social já em março sobre a abertura de especialistas externos – que incluía aliás a criação da tal central – mas também estão cronometradas com o início dos testemunhos de alguns dos principais executivos do Vale do Silício no judiciário estadunidense. A partir desta quarta, os CEOs do Facebook, Google, Apple e Amazon devem começar a prestar contas a membros do Congresso dos EUA durante um painel antitruste que vai definir se estas empresas devem continuar livres de qualquer escrutínio do mercado, e o TikTok deve ser bastante mencionado nas sessões conforme o aplicativo de origem chinesa se tornou exemplo do tipo de “competição ideológica” que estes conglomerados enfrentam atualmente.

A briga maior da rede social da ByteDance é com o Facebook, óbvio, mas não apenas porque este vem buscado copiar o formato do TikTok. O CEO Mark Zuckerberg em diversas ocasiões fez a defesa da plataforma como ambiente de liberdade de expressão apontando a rival chinesa como inimigo a ser enfrentado, uma posição que muito provavelmente deve ser repetida hoje na audiência no Congresso.

“Nós acreditamos em valores – democracia, competição, inclusão e liberdade de expressão – que a economia norte-americana foi construída em cima” escreve Zuckerberg em um discurso inicial publicado na terça (28); “Muitas outras companhias de tecnologia compartilham estes valores, mas não há garantia de que nossos valores vencerão. Por exemplo, a China construiu sua própria versão da internet focada em ideais muito diferentes, e eles estão exportando a visão deles para outros países”.

É justamente este tipo de discurso que leva ao post de hoje escrito por Mayer, não à toa intitulado “Competição justa e transparência beneficiam todos nós”. O CEO em determinado ponto do texto chega a definir o posicionamento do Facebook e seu líder como ataques malignos “disfarçados de patriotismo e destinados a acabar com a nossa presença nos EUA”, além de comentar que sem o TikTok “os anunciantes norte-americanos estariam de novo com poucas opções”: “Nós não somos políticos, nós não aceitamos propaganda política e não possuímos uma agenda – nosso único objetivo é continuar uma plataforma vibrante e dinâmica para que todos aproveitem” continua Mayer na publicação, prometendo que a rede social “vai continuar a lutar para providenciar a creators, usuários e marcas estadunidenses um espaço de entretenimento para os próximos anos”.

O ponto de toda essa treta remonta de novo à atual posição frágil do TikTok nos EUA, cujo governo vem considerando formas de bloquear a presença chinesa pelo aplicativo no país. Além de uma ideia de venda a investidores estadunidenses já ter sido ventilada, a companhia também vem promovendo ações que buscam aumentar a presença do negócio no país. Isso inclui um fundo financeiro a criadores de conteúdo, a criação de um “campus” em Los Angeles e, óbvio, a própria escolha de Mayer – ex-chefe do Disney+ e por um tempo nome cotado para suceder Bob Iger na Disney – para o cargo de CEO.

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