Facebook vai parar de exibir anúncios políticos nos Estados Unidos uma semana antes das eleições

Facebook vai parar de exibir anúncios políticos nos Estados Unidos uma semana antes das eleições

Enquanto Mark Zuckerberg anuncia "pacotão" para proteger processo eleitoral nas redes, candidatos e comitês políticos tem até 27 de outubro para comprar anúncios e impulsionar publicações na plataforma

por Pedro Strazza

O Facebook vai deixar de exibir anúncios políticos relacionados às eleições dos Estados Unidos uma semana antes da votação. A decisão foi confirmada pelo CEO Mark Zuckerberg na manhã desta quinta (3) em seu perfil na rede social e faz parte de um novo pacote de ações da empresa para proteger o processo eleitoral de quaisquer interferências.

De acordo com o executivo, candidatos e comitês políticos terão até o dia 27 de outubro para comprar anúncios que receberam pelo menos uma impressão, podendo também escolher o público alvo destas publicações e ajustar os gastos em cima destes. A partir desta data, porém, novas campanhas deixarão de poder ser lançadas na plataforma.

Na publicação, Zuckerberg escreve estar preocupado “sobre os desafios que as pessoas podem enfrentar na hora de votar”, tendo em vista o impacto contínuo da pandemia em comunidades ao redor do território, e cita o racha ideológico e a demora para a saída dos resultados como fatores que aumentam os “riscos crescentes de agitação civil em todo o país”.

Zuckerberg também anuncia no post uma série de medidas que buscam ampliar a consciência política da rede social enquanto uma fonte de informação ao público estadunidense. Isso inclui a partir desta semana a fixação da central de informação do voto da companhia no topo dos feeds do Facebook e do Instagram para ajudar a educar o público sobre como votar e também como funciona o processo eleitoral do país, incluindo aí a informação essencial de que o resultado pode não ser anunciado na noite da votação.

Outras medidas são o trabalho de moderação mais pesado na hora de limar quaisquer publicações que contenham “clara desinformação” sobre o coronavírus e a votação; o reforço de links de contexto para combater postagens que desencorajem os usuários a votar a partir da doença; e a adição de marcações a candidatos que declarem vitória antes da hora e posts que tentem colocar em dúvida o resultado da eleição. As políticas da comunidade também foram expandidas de forma a combater desde já posts com “deturpações implícitas” do processo eleitoral estadunidense, além do Facebook Messenger começar este mês a restringir o encaminhamento de mensagens a cinco pessoas por vez.

O “pacotão” é mais um passo dado por Zuckerberg na direção de uma conciliação entre suas crenças teimosas de que o Facebook é um ambiente de liberdade de expressão (mesmo quando não confiando em seus instintos) com as críticas severas que ele e a companhia receberam no último ao manter intacto a veiculação de anúncios políticos na plataforma – incluindo aí os próprios funcionários. A rede social já havia dado sinais de uma reconsideração sobre seu papel nos ciclos eleitorais em junho, quando passou a permitir que o público desativasse a publicidade da área em suas contas no Facebook e no Instagram.

Isso não quer dizer que a companhia esteja com medidas à altura das promovidas pelo Twitter e o Google, mas Zuckerberg certamente busca se comportar como estivesse. “Nós todos temos um papel a cumprir para garantir que o processo democrático funcione” escreve o CEO na publicação, “e que todo votante possa fazer sua voz ser ouvida onde mais importa – na cabine de votação”.

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