Novo estudo reforça a ligação entre “13 Reasons Why” e o aumento das tentativas de suicídio entre jovens

Mesmo com os novos resultados (que reforçam pesquisas mais antigas), Netflix garante que só abordou "realidade desconfortável da vida de muitos jovens"

por Soraia Alves

Um novo estudo realizado pelo Centro de Saúde Pública da Universidade de Medicina de Viena reforçou a ligação entre a série “13 Reasons Why”, da Netflix, e o aumento da taxa de tentativas de suicídio entre os jovens.

A pesquisa usou dados de suicídio dos Centros de Controle de Doenças (CD) dos Estados Unidos, e foi publicada pela revista Jama Psychiaty. No artigo, os pesquisadores mostram que, entre abril e junho de 2017, houve um aumento de 13% nos suicídios de jovens de 10 a 19 anos. O período marca justamente os meses posteriores ao lançamento da primeira temporada da série.

A equipe de pesquisadores ressalta que “as associações identificadas aqui devem ser interpretadas com certa cautela, mas parecem demonstrar um aumento dos suicídios que é consistente com o potencial de contágio da mídia”, segundo o texto, que também identifica uma maioria feminina entre esses jovens vulneráveis.

Embora não seja possível determinar se os jovens que cometeram suicídio assistiram a série, um editorial de acompanhamento escrito por pesquisadores das universidades de Harvard e Stanford argumenta que o estudo fornece “fortes evidências” de que o programa da Netflix pode ter levado a esse aumento: “Não se pode tirar conclusões causais definitivas de tais dados, mas nenhum aumento semelhante foi observado em taxas de suicídio para além do grupo etário a que pertence o retrato da mídia, fornecendo algumas provas convincentes de que o excesso de suicídios pode ter sido devido à série”, explicam.

Mesmo com os novos dados, os envolvidos com a produção da série afirmam que o impacto do programa não foi negativo na sociedade. O criador da série Brian Yorkey, ao lado da psiquiatra conselheira da mesma, Rebecca Hedrick, publicou uma nota no site Hollywood Reporter refutando o recente estudo, bem como pesquisas anteriores que também apontaram um aumento da procura na internet sobre métodos suicidas depois da série..

Um porta-voz da Netflix, que contestou as descobertas dos estudos, disse email ao Mashable que o programa “aborda a realidade desconfortável da vida de muitos jovens hoje. Ouvimos deles, bem como especialistas médicos, que deu a muitos espectadores coragem para falar e obter ajuda”.

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