9 filmes para ver na 43° Mostra de Cinema de São Paulo

Fortes concorrentes ao Oscar e vencedores do Festival de Cannes e Berlim são destaque na edição deste ano do festival

por Pedro Strazza

Começa no próximo dia 17 de outubro a 43° edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, tradicional evento da capital paulista e um dos principais festivais de cinema do país. Este ano, a Mostra conta com mais de 300 filmes em sua programação, a serem exibidos em salas espalhadas pelo centro e a periferia da cidade junto de uma programação paralela de debates e que inclui sessões de gala no Theatro Municipal – o qual pela primeira vez participa do festival.

Tendo perdido o valioso apoio da Petrobrás em meados de abril, a edição 2019 da Mostra deve ser uma das que mais sofre com a ausência súbita de recursos financeiros, mas não necessariamente é a pior em termos de curadoria. Apesar de algumas ausências sentidas – incluindo novos trabalhos de “medalhões” orgulhosos do festival, como Marco Bellocchio e Hirokazu Kore-eda – o evento ainda trouxe nomes importantes da última temporada de festivais para sua programação, além de promover homenagens a gente do porte de Olivier Assayas, Elia Suleiman e o falecido crítico de cinema Rubens Ewald Filho.

Como no ano passado, o B9 mais uma vez elenca uma lista de nove títulos da seleção que são imperdíveis dentro do festival, incluindo mostras, exibições e eventos especiais e, claro, filmes de destaque que devem dar o que falar nas ruas da cidade durante as próximas duas semanas. Você pode conferir os horários das sessões de todas as produções elencadas abaixo no site oficial do evento.

A Mostra de Cinema de São Paulo acontece até o dia 30 de outubro.

“Amazing Grace”

Falecida em meados de agosto de 2018, a celebrada cantora Aretha Franklin ganhou este ano um filme concerto em sua homenagem que a bem da verdade já está há um bom tempo para sair – quase 50 anos, para ser exato. Dirigido pelo também já falecido Sydney Pollack em 1972, “Amazing Grace” se viu enrolado em um longo processo jurídico após anos enterrado nos arquivos da Warner Bros., que na época decidiu não lançar o longa dado as dificuldades para sincronizar o áudio com as imagens captadas durante as gravações do então novo disco da artista (o “Amazing Grace” do título) em Los Angeles. Enfim estreado no circuito no fim do ano passado, o projeto tem sido celebrado em todos os locais onde é exibido e chega à Mostra sob a promessa de ser um dos filmes mais catárticos para o público do evento.

“Os Dois Papas”

Filme de encerramento da Mostra deste ano e uma das apostas da Netflix para a temporada de premiações, “Os Dois Papas” é também o novo trabalho do brasileiro Fernando Meirelles, que desde o lançamento de “360” em 2011 se afastou da direção e passou a atuar como produtor. Especulado para os Oscar de Ator e Ator Coadjuvante (além de já haver algum burburinho para a corrida principal), o longa acompanha o recente e raro momento de transição do papado do Vaticano, quando o então Bento XVI abdicou do posto e deu lugar ao atual papa Francisco. Com a estreia no streaming marcada para o dia 21 de dezembro, esta deve ser a única ocasião em que o espectador brasileiro poderá ver na telona o filme.

“O Farol”

Embora com apenas uma exibição no auditório do Ibirapuera, o bastante antecipado filme de terror produzido pela RT Features é um destaque do festival deste ano por conta do evento que acompanhará a sessão única, uma masterclass do diretor Robert Eggers e (talvez) do ator Willem Dafoe. Embora o nome não seja tão reconhecível, Eggers é bastante conhecido do público da Mostra por seu primeiro trabalho, o “A Bruxa” que deu o que falar na programação do festival há quatro anos. Apesar de localizado numa região atípica do evento, a sessão deve ser uma das mais concorridas da edição de 2019.

“A Interrupção”

Figura conhecida e bastante divisiva entre os cinéfilos brasileiros, o filipino Lav Diaz este ano é dono do “mamute” maior da programação, este “A Interrupção” que conta com duração de mais de quatro horas e meia – o que é “normal” para um cineasta dono de filmes de oito horas. Exibido na Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes, o projeto intriga por pertencer ao gênero da ficção-científica, acompanhando o status das Filipinas no ano de 2034 e após o país sofrer as consequências da erupção de um vulcão na região. Como em outros trabalhos, os longos planos e o altíssimo valor de imersão devem se tornar temas de debates igualmente extensos entre aqueles dispostos a encarar as sessões do filme.

“Parasita”

Uma das maiores atrações da 43° Mostra de São Paulo certamente será o mais recente filme de Bong Joon-ho, cujo impacto em Cannes foi tão alto que se tornou a “escolha unânime” do júri liderado por Alejandro González Iñárritu para a Palma de Ouro. Esta euforia não acontece à toa: acompanhando os esforços de uma família miserável para se tornar empregados de uma casa da elite sul-coreana, o longa do diretor de “Okja” e “O Expresso do Amanhã” trata de temas como luta de classes e os problemas do modelo capitalista contemporâneo com uma elegância formal e ácida que é praticamente inédita ao circuito.

“O Relatório”

Destaque no último Festival de Sundance por conta do alto valor gasto pela Amazon para adquirir seus direitos de distribuição, o segundo trabalho do roteirista Scott Z. Burns na direção chega à Mostra de São Paulo sob o status de uma das apostas maiores do estúdio para o Oscar, claro, mas também chama a atenção pela premissa de recontar os bastidores do processo que desembocou na liberação ao público estadunidense das práticas cruéis do programa de interrogação da CIA, no começo dos anos 2000. O elenco de peso, porém, é quem mais deve chamar os espectadores do festival, dado que além de Adam Driver há nomes fortes como os de Annette Bening, Jon Hamm e Tim Blake Nelson.

Retrospectiva Olivier Assayas

Dono da única retrospectiva dedicada a um cineasta na edição deste ano, o francês Olivier Assayas nos últimos anos ganhou maior destaque no mainstream graças a projetos como “Personal Shopper” e “Acima das Nuvens”, mas é dono de uma filmografia de respeito e que data dos anos 90. Para quem conheceu o diretor só nesta década, a Mostra 2019 deve servir como bom ponto de partida para explorar a sua vasta carreira e conhecer produções muito queridas no meio como “Irma Vep” e “Clean”. Além disso, o novo trabalho de Assayas, “WASP Network”, não apenas está na programação como também abrirá os trabalhos do festival este ano.

“Synonymes”

Depois de algumas escolhas pouco chamativas ou mesmo convincentes para seu prêmio máximo nos últimos anos, o Festival de Berlim parece ter agradado mais o público ao consagrar com o Urso de Ouro este “Synonymes” que é o novo filme do israelense Nadav Lapid. Além do burburinho mais engajado nos outros eventos onde foi exibido, a premissa do longa é das mais interessantes, acompanhando as dificuldades de um jovem refugiado do país em Paris conforme sua única ferramenta de comunicação é um dicionário francês-hebraico.

“A Vida Invisível”

Escolhido representante brasileiro na corrida pelo Oscar de Filme Internacional deste ano e tendo já sido exibido em outros festivais ao redor do país, não há dúvidas de que o novo trabalho de Karim Aïnouz chega à Mostra em clima de grandes expectativas entre o público paulista. Motivos não faltam: além de adaptação do livro de Martha Batalha, o projeto ainda saiu de Cannes com o prêmio máximo da mostra Um Certo Olhar e conta com Fernanda Montenegro em papel coadjuvante. Com poucas exibições na programação do evento, o longa deve ser responsável por um dos ingressos mais disputados desta edição.

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