Peacock, mas sem se pavonear: Comcast vai divulgar seu serviço de streaming só em 2020

Companhia deve aproveitar transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio como base de divulgação da plataforma, que a partir daí deve anunciar e lançar um número maior de conteúdos originais

por Pedro Strazza

Embora a guerra do streaming esteja a todo vapor com o lançamento do Disney+ e o Apple TV+ estando cada vez mais próximos e a HBO Max já mostrando suas garras no mercado, quem até o momento não fez muita questão de participar da briga que se encena na mídia é a Comcast. Apesar de ter confirmado a existência do seu serviço de streaming, batizado-o de Peacock e até marcado lançamento para abril de 2020, o conglomerado responsável por peso-pesados do mercado como Universal e a NBC ainda não fez grandes anúncios além de dizer que está considerando remakes de “The Office” e “Battlestar Gallactica”.

E o plano, pelo visto, é justamente de manter a plataforma debaixo dos panos até um pouco antes de seu debute. Em reunião com os investidores nesta quinta-feira (24) para debater os resultados fiscais do trimestre, o CEO da NBCUniversal Steve Burke confirmou que o conglomerado vai concentrar os esforços da divulgação do novo produto para alguns meses antes da estreia em abril, justificando a decisão como… motivos competitivos.

“Eu acredito que nós vamos nos mantes bastante quietos até um ou dois meses antes do lançamento, em termos de detalhes, por razões de competição” disse o executivo na reunião realizada pela Comcast, contrariando expectativas de presentes de que a companhia fosse seguir os passos de Disney e WarnerMedia e anunciar planos com o Peacock já na reunião financeira.

A ideia, segundo Burke, é de aproveitar o gancho maior da transmissão das Olimpíadas de Tóquio – o qual terá seus direitos de exibição da emissora – como plataforma maior para divulgação do serviço, que deve anunciar e estrear uma quantidade “significativa” de conteúdos a partir daí. A parte mais interessante desta história, porém, é que apesar do Peacock a NBCUniversal vai continuar a negociar conteúdos originais para outras companhias, ignorando em parte a atual briga por exclusividade de conteúdos que ocorre no mercado – e que levou a coisas como a Netflix obter os direitos globais de “Seinfeld”, por exemplo.

Burke, aliás, fez questão de esclarecer que o objetivo da Comcast com o Peacock é bem diferente do da concorrência: “Nós estamos trabalhando primariamente com o ecossistema preexistente e conduzindo um monte de atividade com o VOD, e o que eu acredito que nós vamos fazer é cortar este investimento de forma bastante substancial” afirmou o executivo, que ainda comentou que com esta estratégia a companhia acredita poder chegar a “uma altitude de negócios mais rápida” em relação a outros rivais no mercado streaming.

Por mais que o chefão da NBCUniversal reitere o caráter misterioso da divulgação do Peacock, a verdade é que a emissora já começou a discretamente centralizar o streaming em seu marketing, a exemplo da campanha publicitária que fazia os astros das principais séries de comédia do canal a contracenar com um pavão. Questões de conteúdo, funcionamento e – em especial – modelo de negócios, entretanto, devem mesmo ficar para o ano que vem.

Compartilhe: