Adiamento do novo James Bond pode gerar prejuízo de até US$ 50 milhões à MGM

Perdas se dão por conta da publicidade do filme, que investiu até em comercial do Super Bowl para divulgar o 25° episódio da franquia

por Matheus Fiore

Quando o novo filme de James Bond, “007: Sem Tempo Para Morrer”, teve sua estreia adiada de abril para novembro, imaginava-se que a MGM evitaria com isso um desastre de bilheteria por perder mercados importantes. O perigo se deu pelo fato da epidemia do coronavírus levar com que toda a indústria cinematográfica chinesa fosse congelada pelo governo. Acontece que, ao adiar o vigésimo quinto filme da franquia do espião mais popular do cinema, a ainda MGM deve tomar um grande prejuízo.

Segundo o The Hollywood Reporter, fontes afirmam que a MGM deve ter uma perda entre 30 e 50 milhões de dólares devido à mudança de data de estreia do filme. Boa parte desse dinheiro se dá pelas mudanças no marketing, que é planejado de acordo com a data do lançamento – o novo James Bond, por exemplo, teve até mesmo um teaser exibido durante o último Super Bowl.

Toda a estratégia de lançamento do filme, assim, sofreu um baque e precisará ser adaptada à nova data, sete meses após o lançamento previamente marcado. Outro problema é que, com a nova data, “Sem Tempo Para Morrer” terá que disputar bilheteria com lançamentos de peso, incluindo “Godzilla Vs. Kong”, da Warner Bros., e “Os Eternos”, da Marvel Studios e da Disney.

Por conta do coronavírus, diversos eventos pelo mundo tem sofrido alterações. No campeonato italiano de futebol, o Calcio, partidas já foram realizadas com portões fechados e a Federação Italiana de Futebol cogita até mesmo suspender o campeonato. Já em Barcelona, na Espanha, o MWC, maior evento sobre o mundo mobile, teve sua edição de 2020 cancelada em virtude dos riscos.

Nos Estados Unidos, o GTC, evento de deep learning e inteligência artificial que ocorreria no Vale do Silício, teve sua edição de 2020 alterada de presencial para virtual, por meio de videoconferência. Outro evento afetado foi o SXSW, que teve cancelamentos de Jack Dorsey, CEO do Twitter, Facebook e Amazon Studios. Este, porém, trouxe novas atrações e confirmou que a edição de 2020 continua de pé.

Até mesmo os Jogos Olímpicos de Tóquio estão sob ameaça. Mesmo que o Comitê Olímpico Internacional afirme que não pretende adiar o evento, o ministro japonês Seiko Hashimoto afirma pensar na possibilidade de adiar o evento para o fim do ano, quando acredita-se que a epidemia já estará contida.

Não parece haver uma forma totalmente segura para lidar com a epidemia no mundo dos grandes eventos. Mesmo que sejam algo mais brando do que cancelar um evento, adiamentos trazem um gasto inevitável de readequação e planejamento de marketing.

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