Kevin-Mayer

No comando há 3 meses, Kevin Mayer se demite do cargo de CEO do TikTok

Executivo justifica saída culpando mudanças políticas do cenário em torno da rede social

por Pedro Strazza

Não deu para Kevin Mayer. Pouco menos de três meses após assumir o comando, o executivo anunciou sua demissão do cargo de CEO do TikTok na manhã desta quinta-feira (27), em carta enviada aos funcionários da companhia. De acordo com o Financial Times, a gerente geral Vanessa Pappas assumirá a posição enquanto um substituto é procurado pela ByteDance.

A decisão pela saída se deu sobretudo pelo recente fogo cruzado ao qual a rede social foi submetida, em vista de seu banimento dos Estados Unidos após um decreto do atual presidente estadunidense Donald Trump. “Nas últimas semanas, conforme o ambiente político mudou drasticamente, eu fiz algumas reflexões significativas sobre o que as mudanças corporativas vão exigir, e o que representa o cargo global que eu aceitei assumir” escreve Mayer na carta lançada aos funcionários; “Perante este contexto, e conforme nós esperamos uma resolução muito em breve, é com o coração pesado que eu gostaria que vocês todos soubessem que eu decidi deixar a empresa”.

Procurado pelo Engadget, um porta-voz da companhia escreve que o TikTok “entende que as dinâmicas políticas dos últimos meses mudaram de forma significativa a esfera de ação da posição de Kevin [Mayer]” e afirma respeitar integralmente a decisão.

A saída de Mayer surpreende não apenas pela brevidade de sua passagem na empresa – de novo, foram três meses – mas também porque sua justificativa em tese não corresponde a sua atuação no caso da briga do TikTok nos Estados Unidos. Enquanto CEO, o executivo se mostrou ativo e combativo nas tretas encaradas pela rede social com outras companhias de tecnologia, incluindo aí uma carta que publicou na manhã da audiência do Google, Facebook, Amazon e Apple no congresso, na qual fez críticas severas ao fato dos aplicativos de Mark Zuckerberg copiarem o modelo do TikTok e anunciou uma série de medidas de transparência em sua plataforma.

O TikTok agora busca um substituto combativo que esteja à altura do cenário intenso enfrentado nos Estados Unidos, onde busca anular o banimento encontrando um comprador até o fim de novembro deste ano, exatamente o cenário citado por Mayer em sua despedida. O executivo foi escolhido em maio sobretudo para atuar no “desenvolvimento global” da empresa e solidificar a área de atuação da plataforma após passar os últimos dois anos em rápida expansão, mas agora o jogo é outro e muito mais instável; se antes o jogo era de apaziguamento, agora as negociações são bem mais intensas e drásticas em suas consequências.

Vale acrescentar, porém, que 2020 definitivamente não é o ano de Kevin Mayer. Além de deixar o TikTok agora, o executivo também viu sua chance de se tornar CEO da Disney ir por água abaixo em fevereiro, quando Bob Iger optou por Bob Chapek para o cargo ao invés de promovê-lo de sua então posição como presidente do Disney+.

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