Spotify anima à mão o desespero de quem caça ingresso de show
"Great Lengths" aposta em animação artesanal para embalar a aposta do Spotify no mercado de ingressos

Vender o cabelo. Faltar no enterro da avó. Consultar uma bruxa da internet. Encarar uma fila infinita no meio do deserto. No novo filme do Spotify, é isso (e muito mais) que um fã é capaz de fazer pra conseguir ingresso de show.
"Great Lengths" leva a devoção do fã até o limite do absurdo, com direção de Jocelyn Charles pela produtora parisiense Remembers. Os fundos foram desenhados à mão, a caneta, e o filme animado quadro a quadro no computador.
Isso tudo pra promover o Reserved, nova função do Spotify que dá ao assinante Premium uma oportunidade pra comprar ingresso antes da venda geral.
↳ Já expliquei como o Reserved funciona aqui, em maio, quando a empresa apresentou a novidade durante seu Investor's Day.
Obviamente, não dá pra não falar novamente do contrafluxo. O Spotify escolheu desenhar à mão, a caneta, quadro a quadro, no exato momento em que o mercado publicitário se esbalda em animação de IA. Depois de Cannes, com o craft de volta ao centro do debate, fica impossível encarar isso como escolha estética neutra. É aquele selinho do "orgânico", "feito à mão", que salta aos olhos em tempos de automação ampla, geral e irrestrita.


