Prestes a enfrentar Disney e Apple, Netflix frustra expectativas de crescimento no 2° trimestre de 2019

Estagnação da expansão da empresa no mercado estadunidense faz com que serviço não bata meta de 5 milhões de novos membros; estratégia agora mora no mercado internacional

por Pedro Strazza

Estamos há pouco menos de quatro meses da chegada do Disney+ e do Apple TV+ no mercado de serviços de streaming, mas o que parecia ser uma área fértil e cheia de potencial financeiro para grandes empresas e estúdios começou a mostrar algumas limitações. A Netflix recentemente divulgou um relatório a seus investidores com o balanço de seu desempenho econômico no segundo semestre deste ano, e com ele veio uma notícia para lá de preocupante: ao invés de bater a meta de gerar novos 5 milhões de assinantes à sua plataforma, a companhia conquistou apenas 2,7 milhões de contas adicionais.

A informação obviamente pegou bem mal na bolsa de valores, que hoje mantém a Netflix sólida em sua posição de liderança justamente pelas seguidas façanhas de alcançar os objetivos trimestrais de crescimento: nas horas posteriores à emissão do relatório, as ações do serviço de streaming chegaram a cair dez pontos no mercado.

A culpa recai nos ombros do público estadunidense, que manteve a média de crescimento dos últimos meses ao invés de dobrar ou triplicar como a Netflix gostaria. Embora o CEO Reed Hastings acredite que o serviço consiga chegar à marca dos 90 milhões de assinantes nos EUA, a plataforma parece ter estagnado na faixa dos 60 milhões de usuários e as taxas de crescimento só devem cair conforme a competição mais encorpada entrar no mercado.

Não ajuda muito também, as notícias de que o catálogo do serviço em breve deve perder conteúdos licenciados extremamente populares como “The Office” e “Friends”, uma informação que junto da ausência de produções originais de peso além da terceira temporada de “Stranger Things” ajudaram a empresa a perder 130 mil assinantes neste último trimestre.

O que ajudou a base de membros a continuar aumentando mesmo em meio a toda a essa crise, porém, foi o mercado internacional, um dado que Hastings e o CCO Ted Sarandos buscaram concentrar atenções na conferência feita com os investidores nesta quarta-feira, 17 de julho. Isso inclui a Índia, país que deve se tornar um dos próximos grandes focos da empresa conforme cinco produções originais indianas do estúdio devem ser lançadas nos próximos meses e Sarandos declarou que a região tem gerado um “bom e estável crescimento com cada vez mais engajamento”.

Países europeus também tem dado retornos significativos à plataforma, em especial a Alemanha, a Dinamarca e a Suécia onde respectivamente as séries regionais produzidas pela Netflix “How to Sell Drugs Online”, “The Rain” e “Quicksand” chegaram à marca dos 12 e 15 milhões de espectadores. O bônus para a empresa é que estas produções não apenas fizeram sucesso nos locais onde foram miradas, mas também conseguiram achar público em outras nações e mercados.

É nos Estados Unidos, entretanto, que a Netflix precisa mostrar a seus investidores que ainda é a primeira potência do streaming, uma questão que a empresa espera resolver aumentando a entrega de produções originais desejadas ao invés de abraçar um modelo de negócios movido a publicidade. “Nós estamos conscientizando nosso público que nós vamos criar o próximo programa favorito deles, não que é o lugar onde ele poderá ver tudo que quiser a qualquer hora” descreveu Sarandos na conferência.

Oferta não falta. Embora o próprio Sarandos tenha declarado recentemente que a empresa vai parar de fazer altos investimentos na compra de produções, o estúdio deve gastar um total de 15 bilhões de dólares este ano e tem pronto para lançar no próximo semestre uma verdadeira galeria de superproduções, incluindo “O Irlandês” de Scorsese (que rumores apontam já estar com orçamento na altura dos 140 milhões de dólares) que será sua maior aposta para o Oscar 2020, e séries originais de nomes criativos consagrados como Shonda Rhimes e Ryan Murphy. Isso sem contar projetos para o ano que vem, como novos trabalhos de Michael Bay e David Fincher e um filme de espionagem estrelado por Dwayne Johnson e Gal Gadot que foi recém-adquirido da Universal.

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