Sistema de inteligência artificial identificou coronavírus antes dos primeiros casos serem divulgados

Sistema de inteligência artificial identificou coronavírus antes dos primeiros casos serem divulgados

Algoritmo desenvolvido pela BlueDot já havia descoberto o surto por coronavírus e, inclusive, notificado aos seus clientes

por Soraia Alves

De acordo com a revista Wired, um sistema de inteligência artificial foi o primeiro a alertar sobre o coronavírus na cidade de Wuhan, antes mesmo dos primeiros casos serem divulgados pelo governo chinês. O algoritmo ainda previu corretamente que o vírus se espalharia da região chinesa para Bangkok, Seul, Taipei e Tóquio nos dias posteriores ao seu aparecimento

Segundo a publicação, em 31/12 o algoritmo desenvolvido pela BlueDot, startup canadense especializada em monitorar a propagação de doenças infecciosas, já havia descoberto o surto por coronavírus e, inclusive, notificado aos seus clientes. Nesse mesmo dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta sobre a doença, depois que autoridades chinesas informaram a existência de 27 casos de pessoas infectadas com o novo vírus.

O sistema da BlueDot trabalha com a estratégia de prever a propagação de vírus através da coleta e análise de informações de notícias publicadas em sites e jornais em mais de 30 idiomas diferentes. Através dessa análise, o algoritmo consegue fazer relatórios para diferentes organizações oficiais, sendo utilizado nos Estados Unidos há alguns anos, por exemplo.

Além de acompanhar as notícias sobre casos coincidentes que surgem, o sistema analisa quantos voos diários existem da cidade de origem do vírus para o resto das cidades do mundo, o que permite prever em que outras áreas do mundo os seguintes casos podem ocorrer. Nesse caso, o sistema de inteligência artificial previu corretamente que o vírus surgiria posteriormente em Bangkok, Seul, Taipei e Tóquio.

Com os relatórios em mãos, os epidemiologistas verificam se as conclusões fazem sentido do ponto de vista científico e enviam outro relatório para autoridades de saúde pública de diferentes países, companhias aéreas e grandes hospitais, onde os possíveis pacientes infectados serão tratados.

O BlueDot já se mostrou eficiente em surtos anteriores, como durante a epidemia do vírus Zika no Brasil. Na ocasião, o sistema analisou itinerários de voo, mapas de temperatura, densidades populacionais, entre outras fontes de informação, identificando, por exemplo, que a Flórida poderia ser alvo do surto, uma vez que recebeu grandes volumes de viajantes do Brasil e tinha o clima e os mosquitos certos para a transmissão de doenças. As previsões, que estavam corretas, foram publicadas pela revista médica The Lancet.

Até agora, a OMS confirmou mais de 17.200 pessoas infectadas, a maioria na China, e 362 mortos.

Compartilhe:
icone de linkCopiar link