Uma seguradora abriu seus dados para o país inteiro, incluindo clientes dos rivais, e levou o Grand Prix de Titanium
Criada pela Leo Australia, a Suncorp Haven deixa qualquer dono de imóvel digitar o endereço e ouvir da própria casa o que fazer para resistir ao clima extremo

Até 2035, a mudança climática pode tornar 10% das casas australianas impossíveis de segurar. Diante disso, a seguradora Suncorp deslocou o foco do negócio da recuperação para a resiliência, e construiu a Haven, uma plataforma gratuita em que qualquer um dos 11 milhões de donos de imóvel da Austrália digita o endereço e ouve, na voz da própria casa, o que fazer para deixá-la mais resistente a incêndio, tempestade ou enchente. A criação, da Leo Australia, levou o Grand Prix de Dan Wieden Titanium em Cannes Lions 2026.
A plataforma combina 12 grandes bases de dados para gerar um retrato específico de cada imóvel. A Suncorp abriu esse material para o país inteiro, inclusive para clientes das seguradoras concorrentes. E não parou na ferramenta. A empresa também passou a pressionar o parlamento e a trabalhar com construtoras em novos padrões de obra, para que as casas novas já nasçam mais resistentes.
A construção foi longa. A Suncorp provou a resistência primeiro em uma casa, em 2021, depois em uma rua (chamada Brazilian Road, aliás), e agora num país. A presidente do júri, Chaka Sobhani, CCO global da TBWA, resumiu o que pesou na escolha. Dados e tecnologia no centro, mas com a humanidade entregue pela voz da casa. E a régua do prêmio, batizado em homenagem a Dan Wieden, virou a pergunta que o júri repetiu.
"Se essa ideia não existisse, o mundo sentiria falta dela?" — critério do Dan Wieden Titanium, citado pelo júri
Uma seguradora dar de graça os próprios dados para os clientes dos rivais soa como tiro no pé, e é o contrário disso. Casa que resiste é casa que não vira sinistro, então reduzir o risco de todo mundo, mesmo o de quem não é cliente, baixa a conta de indenizações do setor e posiciona a marca como a que puxou a virada. É o "propósito e lucro são um 'e', não um 'ou'" que atravessou os júris do último dia, aplicado a um negócio inteiro. Some-se a isso um dos temas que a presidência do júri destacou, o da tecnologia como meio, e não como fim. Nas palavras dela, dá para todo mundo se acalmar sobre a IA, porque a criatividade sai melhor com ela na mão certa.


