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Remake de “Mulan” foi visto 4,5 milhões de vezes na Disney+ durante a semana de estreia nos EUA

Filme foi apenas o 10° título mais visto do streaming no país no fim de semana de seu lançamento, porém, atrás de pesos-pesados como "Cobra Kai" e "The Boys"

por Pedro Strazza

A discussão em torno do lançamento do remake de “Mulan” no Disney+ até o momento tem sido tudo menos precisa, o que é esperado se considerar que a Disney até o momento não soltou qualquer dado relacionado à audiência de seu streaming relacionada a títulos específicos. O que ficou subentendido ao público é que a estratégia de abandonar os cinemas e debutar o longa na plataforma não gerou os resultados esperados, dado que o estúdio não replicou o experimento com outras produções e decidiu adiar quase tudo de importante para 2021.

Todo o mistério em torno do desempenho do filme de Niki Caro começou a ser solucionado na manhã desta quinta-feira (1), porém, conforme a Nielsen divulgou uma nova edição do seu relatório semanal de audiência no streaming que enfim providencia ao projeto alguns dados mais sólidos. O top 10 divulgado hoje pelo Hollywood Reporter é o primeiro da entidade a incluir títulos de outras plataformas que não sejam a Netflix desde sua criação, vale acrescentar, e engloba o comportamento do público nos EUA durante a semana entre os últimos dias 31 de agosto e 6 de setembro – justamente o período que engloba o fim de semana de estreia de “Mulan” na Plus.

A grande revelação da medição é que não, “Mulan” definitivamente não foi o “hit” do streaming na semana de estreia. Além de passar longe das três primeiras colocações, o filme da Disney quase não entrou no top 10, ficando na décima posição e sendo o único longa-metragem da lista. Com uma cobrança adicional de US$ 29,99, o filme registrou nos 3 primeiros dias de disponibilidade um total de 525 milhões de minutos assistidos – e se desconsiderar eventuais abandonos, isso significa que o título teria sido visto 4,5 milhões de vezes nesta reta inicial.

Mas se você está pensando em multiplicar este suposto número de visualizações pelos US$ 29,99 cobrados na locação e concluir que US$ 136 milhões entraram nos cofres da Disney só neste fim de semana, é bom tirar o cavalinho da chuva. No início de setembro, o grupo de pesquisa Screen Engine/ASI reportou ao THR que o público de “Mulan” na Plus teria sido composto em sua maioria por jovens, com mais de 70% identificados entre as faixas etárias até 35 anos de idade. E se considerar que a tendência de rever os títulos é mais alta entre estes grupos, é praticamente impossível que as 4,5 milhões de sessões sejam visitas únicas.

Estas informações devem gerar mais preocupação nos próximos dias dentro de Hollywood, que já passa por uma situação difícil com o desempenho pífio de “Tenet” e outros lançamentos neste momento de reabertura dos cinemas durante a pandemia nos EUA e ao redor do globo – depois de um início acima das expectativas na Europa, o novo longa de Christopher Nolan no momento acumula US$ 284 milhões pouco mais de um mês em cartaz “em territórios selecionados”. É também mais uma peça no quebra-cabeça que se tornou o status financeiro da Disney, que viu o próprio “Mulan” fracassar na China e esta semana anunciou a demissão de 28 mil funcionários no setor de parques.

Os fenômenos “Cobra Kai” e “The Boys”

Enquanto a indústria do cinema agoniza, as séries continuam provando serem mastodontes de audiência aos olhos da Nielsen. Depois de confirmar os números altos de “The Umbrella Academy” no mês passado, a lista da vez da entidade revelou “Cobra Kai” na primeira posição com 2,17 bilhões de minutos assistidos só nos EUA. É um total impressionante se considerar que a série existe desde 2018 e que este “boost” acontece sobretudo por conta de sua entrada no catálogo da Netflix, depois de ser comprado em junho do YouTube.

Outro que se deu muito bem é “The Boys”. Depois da Amazon afirmar que a série teria batido todos os recordes da plataforma na estreia de sua segunda temporada, a Nielsen relata agora que nesta semana do lançamento dos 3 primeiros episódios do novo ano a produção acumulou 891 milhões de minutos assistidos no Prime Video, alcançando a terceira posição no ranking. O número supera “veteranos” de maratonas como “The Office” e “Grey’s Anatomy” e só deixa o seriado atrás de “Lucifer” e do citado derivado de “Karate Kid”, ambos da Netflix.

Tanto “Cobra Kai” quanto “The Boys” são produzidas pela Sony Pictures TV, vale acrescentar, um estúdio que faz parte de uma companhia que optou por não apostar em uma plataforma própria de streaming e sim fornecer conteúdos a terceiros.

Você pode conferir abaixo e na íntegra o mais recente top 10 da Nielsen no streaming. Como já foi citado, os dados valem entre os dias 31 de agosto e 6 de setembro de 2020 e foram coletados apenas nos Estados Unidos:

“Cobra Kai” (Netflix): 2,17 bilhões de minutos assistidos
“Lucifer” (Netflix): 1,42 bilhão de minutos assistidos
“The Boys” (Amazon Prime Video): 891 milhões de minutos assistidos
“The Office” (Netflix): 843 milhões de minutos assistidos
“Criminal Minds” (Netflix): 675 milhões de minutos assistidos
“Shameless” (Netflix): 639 milhões de minutos assistidos
“Away” (Netflix): 631 milhões de minutos assistidos
“Grey’s Anatomy” (Netflix): 616 milhões de minutos assistidos
“Avatar: A Lenda de Korra” (Netflix): 541 milhões de minutos assistidos
“Mulan” (Disney+): 525 milhões de minutos assistidos

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