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O que esperar dos grandes estúdios na CCXP Worlds?

Com esquema de exibições online simultâneas, evento busca contornar limitações impostas pela pandemia e reforçar sua importância no calendário de Hollywood

por Pedro Strazza

Apesar do discurso grandiloquente ser parte vital da experiência, dezembro de 2019 de fato foi o momento de auge da Comic Con Experience. Então apenas em sua sexta edição, o evento monopolizou atenções com um time de estrelas de peso e anúncios ainda maiores, coroado com a presença de Gal Gadot e a diretora Patty Jenkins no palco principal para lançar o primeiro trailer de “Mulher-Maravilha 1984”, o grande lançamento do ano seguinte.

Em meio aos gritos do público e as promessas impensáveis de superação do que tinha acabado de ser feito – muito graças à confirmação prévia de Matt Reeves e “The Batman” na edição seguinte – a CCXP enfim se via na posição que vinha buscando desde seu início em 2014. Era enfim o evento global, parte intrínseca de Hollywood e de todo o planejamento publicitário do ano dos grandes estúdios, com as principais produções audiovisuais do mercado vendo ali no São Paulo Expo um ponto importante para movimentar a indústria.

Mas passado doze meses, o cenário de dezembro de 2020 é outro – ou melhor, exatamente o oposto. Com a pandemia do coronavírus firme e a vacinação possível apenas no ano que vem, a CCXP chega à sua sétima edição numa posição de fragilidade similar e decorrente da crise de Hollywood. A incerteza sobre o lançamento das próximas grandes produções e a retomada torta dos cinemas contribuem para esvaziar as apresentações de novidades, enquanto a impossibilidade de eventos presenciais tira da conferência aquela que é sua maior força hoje: o público, ao vivo e em cores no espaço do salão de exposições.

É nesta encruzilhada que se encontra a CCXP Worlds, que a partir desta sexta-feira, 3 de dezembro, joga num campo muito diferente de seus antecessores. A luta aqui não é tanto sobre crescer mas manter o nome vivo num momento onde tudo está sujeito a mudanças, e neste ponto os referenciais sem dúvida são a San Diego Comic-Con, que naufragou este ano ao contornar a ausência de uma edição física com uma série de lives, e no DC FanDome, o evento para fãs da WarnerMedia que registrou em agosto uma audiência de 22 milhões com 8 horas ininterruptas de painéis.

A CCXPW também conta com o ônus das ausências da Disney e da Netflix na programação. Hoje os dois maiores nomes do mercado de streaming, ambas as companhias foram responsáveis por porções substanciais dos destaques do evento nos primeiros anos, mas em 2020 preferiram não se envolver com os trabalhos do principal auditório – agora digital e renomeado Thunder Arena.

Ainda assim, a CCXP Worlds busca ter muito o que oferecer nos próximos dias, apostando numa programação encorpada que dê conta de manter as atenções voltadas à sua plataforma – e com opções de entrada grátis, a busca é mesmo pelo hype das redes sociais. Listamos a seguir os painéis mais importantes para se acompanhar durante o evento, além de mostrar o que dá pra esperar dos estúdios nesta edição atípica e imprevisível da feira.

A CCXP Worlds acontece entre os dias 4 e 6 de dezembro na plataforma oficial do evento.

Sexta

Sony

De longe o estúdio com menos a oferecer na edição deste ano – sobretudo porque optou por deslocar todo o calendário para 2021 – a Sony dá início aos trabalhos da CCXP com um painel focado em “Monster Hunter”. Previsto para ir ao ar às 19h no Thunder Arena, a apresentação traz de volta à feira o diretor Paul W.S. Anderson e a atriz Milla Jovovich, que junto de Diego Boneta e a brasileira Nanda Costa devem conversar sobre a adaptação do jogo homônimo para o cinema. Há ainda uma conversa com o diretor Jeff Wadlow sobre o remake de “A Ilha da Fantasia” marcada para às 16h30 no palco Omelete Stage.

Universal

Tudo bem que a Universal também marca presença no sábado, com um painel dedicado à animação “Os Croods 2” à partir das 16h30, mas é na sexta que o estúdio deve atrair mais atenção. Isso porque às 19h30 acontece uma apresentação dedicada a “Freaky – No Corpo de um Asssassino”, terror cômico dirigido por Christopher Landon (responsável pelos dois “A Morte Te Dá Parabéns”) e estrelado por Vince Vaughn e Kathryn Newton. Além do cineasta e os dois atores, o produtor Jason Blum também marca presença no evento para conversar sobre o filme e seu estúdio, a Blumhouse Productions.

Paramount

Depois de preferir investir somente num estande no ano passado, a Paramount trabalha na CCXP Worlds com duas apresentações bastante distintas na sexta. A mais importante é a que encerra os trabalhos do primeiro dia de Thunder Arena às 21h e voltada ao filme solo de Snake Eyes, com o novo intérprete Henry Golding e o criador do personagem Larry Hama discutindo o filme que estreia em 2021. Há também a previsão de uma conversa com Andy Garcia, voltada ao novo corte de “O Poderoso Chefão III” e ainda sem horário definido.

Sábado

Globo

A Globo tem diversas atividades e apresentações preparadas para a CCXPW com foco no Globoplay, mas seu grande destaque da vez talvez seja mesmo o filme de “Eduardo e Mônica”, que ocupa o Thunder Arena à partir das 16h. Primeiro painel de destaque do sábado, o evento focado na versão cinematográfica da canção do Legião Urbana vai contar com a presença de Alice Braga, Gabriel Leone e do diretor René Sampaio para falar do processo de adaptação da faixa para o formato de longa-metragem.

“As Agentes 355”

De volta aos trabalhos da Thunder Arena depois de alguns anos sem muito envolvimento com a feira, a Diamond Films este ano busca impulsionar junto da Galeria Distribuidora três filmes que pretendem colocar nos cinemas em meio à pandemia. À partir das 19h do sábado, as duas distribuidoras nacionais apresentam ao público o filme de ação “As Agentes 355” e as duas versões baseadas no caso Richtofen, “A Menina Que Matou Os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais”. O primeiro certamente pretende chamar mais a atenção do público, com presenças confirmadas das atrizes Jessica Chastain, Penélope Cruz e Fan BingBing.

Irmãos Russo

Não é um estúdio, mas é para se ficar de olho no painel com os irmãos Joe e Anthony Russo das 20h30. Além de maior (será uma hora de apresentação), a conversa também deve passear bastante pelos trabalhos dos diretores de “Vingadores: Ultimato” no seu estúdio, a AGBO, que atualmente toca diversos projetos de interesse da indústria. Eles também tem um filme prestes a sair – “Cherry”, com Tom Holland e distribuição pela Apple TV+ – e outro que promete ser o mais caro da história da Netflix“The Gray Man” com Chris Evans e Ryan Gosling – o que já dá bastante gravidade em torno de suas presenças na Comic Con.

Amazon Prime Video

A Amazon fecha os trabalhos do sábado na CCXPW com um painel triplo, breve e de muito mistério. Previsto para começar às 21h30, a apresentação por enquanto apenas tem confirmado que vai tratar da quinta temporada de “The Expanse” e das novas séries “Invincible”, baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman, e “The Wilds”, que chega ao Prime Video no dia 11 de dezembro. Fora isso, apenas a afirmação de que a apresentação conta com 14 convidados e que será um dos únicos eventos de estúdio a ser transmitido no Facebook – a partir da conta da Amazon, claro.

Domingo

WarnerMedia

Quem manteve a aposta firme na CCXP este ano foi a Warner, que depois de implodir o auditório em 2019 agora ocupa todo o tempo do Thunder Valley no domingo com o que chama de um “megapainel” de seis horas de duração. A maior esperança é que o estúdio aproveite a onda das recentes decisões cataclísmicas e anuncie uma data de lançamento do HBO Max no Brasil, mas enquanto isso já tem confirmado painéis dedicados a “Mulher-Maravilha 1984”, “Esquadrão Suicida”, “Tom e Jerry”, a programação do Adult Swim e um sobre os novos episódios de “Euphoria” – a série da HBO é a única que confirmou convidado, com Zendaya e o showrunner Sam Levinson presentes pra falar da produção jovem. Tudo isso a partir das 15h.

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