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Netflix deve gastar US$ 15,7 bilhões em 2017 para manter seu conteúdo [ATUALIZADO]

As próximas séries exclusivas da empresa precisam trazer novos assinantes para a plataforma

por Soraia Alves

[ATUALIZAÇÃO] A Netflix entrou em contato para esclarecer as informações publicadas pelo LA Times e replicadas no nosso post:

“A matéria do LA Times calcula erroneamente nossa dívida com o valor de US$ 20 bilhões ao considerar nossas obrigações de transmissão (por exemplo, contratos de conteúdo com estúdios), no valor de US$ 15,7 bilhões, como parte dessa dívida, o que não procede. Temos uma dívida total bruta de US$ 4,8 bilhões versus o nosso valor no mercado de ações que é de US$ 75 bilhões. O LA Times já corrigiu a matéria.

Contextualizando, os US$15,7 bilhões são referentes à gastos futuros com conteúdos que trarão resultados ao longo do tempo. Todos os canais de televisão aberta e a cabo, além de serviços de streaming, têm contratos de licenciamento e utilizam a mesma estrutura. Como referência, Disney/ESPN tem US$49 bilhões em compromissos similares para contratos relacionados a esportes.”

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Todos acompanhamos o crescimento e a evolução da Netflix como serviço de streaming nos últimos anos. A empresa aumentou muito o número de seus usuários, principalmente ao investir em produções originais. Mas, de acordo com o Los Angeles Times, essas mesmas produções mais o compromisso com estúdios geraram a dívida de $20,54 bilhões que a empresa acumula hoje.

Só para 2017, a Netflix tem um gasto planejado de $6 bilhões com conteúdo original, e espera fechar o ano com um lucro de $2,5 bilhões. Em 2016, o saldo de fechamento foi de $1,7 bilhão.

A grande pergunta é se essa dívida pode interferir de alguma forma no crescimento da empresa, que em algum momento poderia até mesmo deixar de investir em seus programas exclusivos.

Alguns especialistas alegam que a gigante do universo streaming está em uma bolha, que pode explodir se as próximas produções não atraírem novos assinantes. Sem sucessos arrebatadores, a empresa entraria em uma desaceleração do crescimento, que somado à atual dívida, resultaria em muita dor de cabeça.

Até agora isso não parece ser um problema para a Netflix. Hoje, ela conta com 104 milhões de assinantes em todo o mundo, 25% a mais que no ano passado. Suas séries e filmes representam mais de um terço de todo o tráfego de streaming na internet.

As ações da Netflix subiram mais de 10% entre junho e julho de 2017. Para o ano todo, a previsão é de um aumento em 50%.

Em relação à dívida, os investidores têm apostado em financiamentos a curto prazo, além de buscarem parcerias com grandes estúdios que banquem parte ou o total de suas produções. Já seguem esse caminho “Orange Is the New Black”, produzida pela Lionsgate, “House of Cards”, da Media Rights Capital, “The Crown”, da Sony Pictures Television, e“Iron Fist”, da Marvel.

Apesar de não bancar os projetos, a Netflix precisa pagar taxas de licenciamento pelos direitos exclusivos de transmissão. E muitas dessas taxas devem crescer ao longo do tempo.

O cancelamento de séries como “Sense8” e “The Get Down” ajuda a levantar mais especulações sobre as finanças e futuro da empresa. Vale ressaltar que a Netflix preferiu não comentar oficialmente as causas dos cancelamentos, mas sabe-se que o alto custo das produções foi um ponto essencial para a decisão.

Há ainda a preocupação com o crescimento da concorrência, com produções exclusivas da Amazon e Hulu. Mas aqui, a empresa ainda leva vantagem principalmente por seu funcionamento global.

Aliás, o número de assinantes estrangeiros da Netflix só cresce. Hoje, a empresa conta com 52 milhões de usuários fora dos Estados Unidos, e tem apostado em produções vindas desses lugares, como o filme “Okja” da Coréia do Sul e a série “3%” do Brasil.

Ainda assim, esses consumidores são mais caros para conseguir, e o crescimento interno nos EUA é fundamental para o bom fechamento das contas da empresa.

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