Faça a sua parte
Quando a mudança estrutural custa caro, aparece um aviso. Vale para a garrafa de cerveja de 1953 e para o selo que passa a valer hoje.

A lágrima mais famosa do ambientalismo americano era glicerina — e a campanha, das fabricantes de embalagem (reprodução).
Quarta à noite, no estúdio do Braincast, e eu li cinco frases em voz alta pedindo pra mesa dizer qual conselho é de verdade e qual parece alguém tentando lavar as próprias mãos.
Economize água. Separe o lixo. Beba com moderação. Jogue com responsabilidade. Este conteúdo foi gerado por inteligência artificial.
Essa conversa foi parar em 1953, numa lei sobre garrafa de cerveja no estado de Vermont. E chegou até as “campanhas de conscientização” dos dias de hoje, discutindo como problemas estruturais são, muitas vezes, transformados em escolhas e culpas individuais.
Foi esse ponto que acabou organizando esta edição: quando o conserto de verdade custa caro, geralmente aparece um aviso barato no lugar. E esse aviso, claro, passa a conta pra você. Valia pra garrafa de cerveja em 1953. Vale pro selo de IA que entra em vigor hoje na União Europeia, neste domingo em que a edição chega na sua caixa. E, como descobri na sexta-feira da pior maneira possível, vale até aqui dentro de casa. Essa última história eu guardo pro fim.
No caminho: o LinkedIn desligando a ferramenta que ele mesmo vendeu, a indústria do podcast convocando uma força-tarefa pra dizer, afinal, o que é um podcast, e a conta da Copa que a Adidas e a Coca-Cola fecharam de jeitos opostos.
Nessa edição
01 Selo de IA passa a valer na Europa
02 O LinkedIn contra o AI slop
03 Uma força-tarefa para definir o que é podcast
04 O rescaldo da Copa de Adidas e Coca-Cola
05 Braincast 643: quem inventou o “faça a sua parte”?
06 Um tribunal em Munique, um gin sem álcool e a ideia de jerico do Google Earth


