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Campanha da Perdigão para o Natal é alvo de protestos por reforçar estereótipos racistas

Campanha da Perdigão para o Natal é alvo de protestos por reforçar estereótipos racistas

Comerciais partem de pressupostos problemáticos ao retratar famílias pobres como negras e ricas como brancas

por Pedro Strazza

[ATUALIZAÇÃO: 19h30, 27/11] A Perdigão soltou uma declaração oficial sobre a repercussão da campanha, onde afirma que “A Perdigão lamenta que a campanha publicitária de Natal tenha ofendido qualquer um de nossos consumidores. Nunca foi essa a nossa intenção. Falar de generosidade é, para nós, uma forma de união e agradecimento a todos os nossos consumidores, que há três anos colaboram para o Natal de mais de 6 milhões de pessoas, independente de cor, gênero, raça ou religião. É nisso que acreditamos.”[FIM DA ATUALIZAÇÃO]

A Perdigão realiza este ano a terceira edição da ação “Você compra um Chester, a Perdigão doa outro”, campanha em que a empresa promete que para cada Chester seu comprado durante o período de festas ela irá doar outro para famílias de baixa renda. É uma atitude bonita da marca que se tornou a principal aposta da marca para este fim de ano: Além dos tradicionais comerciais, a Perdigão criou também um documentário intitulado “Generosidade gera Generosidade”, cuja proposta é a de acompanhar a trajetória de uma moradora do Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, que de receptora do projeto na primeira edição passou a doar o Chester em 2018.

O problema é que os filmes, criados pela DM9 para divulgar a ação, reforçam estereótipos racistas e estão sendo alvo de protestos inflamados nas redes sociais.

Intitulados “Natal Família Silva” e “Natal Família Oliveira”, os comerciais partem de estereótipos na hora de representar as duas famílias envolvidas na ação: enquanto a que compra o Chester é majoritariamente branca, a que recebe e portanto mais pobre possui apenas pessoas negras.

Assista abaixo:

Postada ontem (26) no YouTube, a ação gerou todo tipo de reação no Twitter, onde muitos reclamaram que as peças são “um poço de racismo” e uma forma de reforçar a ideia de que os negros estão sempre na posição de receber dos brancos; já outros afirmam que as reclamações são “tudo mimimi”. O nome da Perdigão, neste meio tempo, foi parar nos Trending Topics da rede.

Por conta de todo o caso em cima das peças, cada um dos vídeos já conta com mais de 150 mil visualizações (no momento da publicação desta nota) de acordo com o YouTube.

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