Campanha britânica quer que redes sociais sejam tratadas como cigarro
Maior comunidade online de mães do Reino Unido usa OOH provocativo para pressionar por regulação, num debate que também avança no Brasil
O Mumsnet — maior fórum online de mães do Reino Unido, com milhões de usuárias e influência política real sobre temas de família e educação — lançou campanha nacional que aplica a estética de avisos sanitários de maços de cigarro às redes sociais.
Os cartazes trazem frases como “três horas ou mais de redes por dia aumentam a probabilidade de automutilação em adolescentes” e “vício em celular dobra o risco de ansiedade”. O pedido é direto: banimento de redes sociais para menores de 16 anos. A criação é da agência adam&eveTBWA.
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Por que importa: A analogia com cigarro não é apenas retórica criativa. Nos anos 1990, alertas em maços foram chamados de alarmismo pela indústria do tabaco. Hoje são lei em quase todo o mundo. O Mumsnet quer forçar o mesmo deslocamento: tirar a conversa de “controle parental” e levá-la para “regulação de produto”. Como disse a fundadora Justine Roberts ao The Guardian: “Você não consegue ser melhor pai que um modelo de negócio construído sobre vício.”

No Brasil, o debate anda em paralelo. Em junho de 2025, o Senado aprovou o PL 3.628/2024, que proíbe acesso de menores de 12 anos a redes sociais e exige consentimento dos pais para adolescentes de 12 a 15. A lei foi sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2026, com prazo de um ano para as plataformas se adaptarem. A Austrália já aprovou legislação semelhante banindo redes para menores de 16.
A campanha: Os cartazes fazem parte da “Rage Against the Screen”, que inclui OOH nacional e peças em redes sociais. A estética imita deliberadamente as advertências sanitárias de embalagens de cigarro: fundo claro, tipografia dura, dados de saúde sem amenização. O pedido nos cartazes: escreva ao seu parlamentar.
Os dados: Pesquisa do Mumsnet com sua base de usuárias:
- 92% dos pais preocupados com o efeito das redes na saúde mental dos filhos.
- 60%+ acreditam que seus filhos são viciados no celular ou em redes sociais.

No Brasil, dados da TIC Kids Online mostram que 95% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos são usuários de internet, e 78% têm perfil em pelo menos uma rede social. A pesquisa da Vivo/V.Trends citada aqui recentemente indica que 47% dos brasileiros sairiam de casa sem a carteira, mas não sem o celular.
O contexto político britânico: O primeiro-ministro prometeu medidas para restringir o acesso de menores “em meses, não anos”, sem confirmar banimento total. A comissária da infância da Inglaterra alertou que proibição sem implementação eficaz pode empurrar crianças para “partes mais sombrias da internet”.
Para o Brasil, a campanha britânica serve como referência de comunicação sobre um tema que ainda carece de um debate público robusto.

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