Cultura 12 mar 2014

Cosmos: Uma jornada pela imaginação aos limites da Ciência

Evolução da série clássica de Carl Sagan impressiona pelo visual, atualiza conceitos científicos e inspira a se apaixonar pelo universo

Cosmos: Uma jornada pela imaginação aos limites da Ciência
Cosmos

Emprestando palavras de Neil DeGrasse Tyson, o apresentador de “Cosmos: A Spacetime Odyssey”, “Carl Sagan foi o maior divulgador científico do século passado e inspirou milhares de jovens a seguirem o caminho da ciência” e é a ele que se deve a melhor estreia da TV mundial nesse ano. Foi esse professor apaixonado que nos levou a um passeio pelo universo na década de 80 e é em sua homenagem que o programa retorna com relevância e maravilhamento.

O que é “Cosmos”? O subtítulo explica: uma odisseia através do tempo e do espaço, ou seja, uma compilação dos principais temas conhecidos pela ciência começando nos primórdios da astronomia e explorando os confins do espaço e do tempo. É a democratização máxima do conhecimento. E isso já diz muito.

[quotedireita]Contando com as reprises e gravações, a estimativa é de 40 milhões de espectadores na primeira semana[/quotedireita]

“Cosmos: A Spacetime Odyssey” estreou com pompa e circunstância nos Estados Unidos no último domingo (estreia no Brasil na quinta-feira, dia 13, às 22h30, no NatGeo Wild) em todos os 10 canais do grupo Fox (incluindo os esportivos e a TV aberta), no mesmo horário, apoiado por uma campanha pesada e bastante ampla.

Foi um bombardeio de ciência, resultado, 8,5 milhões de espectadores na estreia, que enfrentou competição pesada de “The Walking Dead”, da nova série sobrenatural da ABC, “Ressurection”, e o final de “True Detective”, na HBO.

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Neil DeGrasse Tyson apresenta o remake da série
Neil DeGrasse Tyson apresenta o remake da série

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Cosmos

[colunadireita]Contando com as reprises e gravações, a estimativa é de 40 milhões de espectadores na primeira semana. De quebra, o presidente Barack Obama fez a introdução do programa que, com certeza, vai integrar o currículo escolar norte-americano muito em breve.

No primeiro episódio, uma mistura de fotografia, computação gráfica, animação e live action integrada com CG foi utilizada para apresentar o conceito da série e também o famoso “calendário” imortalizado por Carl Sagan na primeira versão do programa. De acordo com o calendário, o Big Bang foi primeiro de janeiro e a nossa civilização se desenvolveu nos últimos momentos do final de dezembro.

Como peça introdutória, a narrativa aproveitou-se da história de Giordano Bruno, do geocentrismo e das descobertas de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei para mostrar a força da ciência e a natureza transformadora de suas descobertas.

Curiosamente, ao invocar Bruno, falar de religião foi preciso e o texto tratou do assunto com excelência, sem dar trela para disputas ideológicas ou se menosprezar qualquer um dos lados, inclusive dando plena razão ao pensamento do padre: “se Deus é infinito, por que o Universo seria finito?”.

Buda e Maomé também foram citados, deixando claro o tom de respeito e pacífico do programa. O astrofísico DeGrasse Tyson aproveita o programa para fazer o convite: questione absolutamente tudo que você sabe. Esse é um dos maiores princípios científicos por possibilitar a descoberta de novos conceitos, provar os paradigmas atuais ou desacreditar novas ideias mirabolantes. É um constante convite à evolução.[/colunadireita]

[quoteesquerda]DeGrasse Tyson vai bem como âncora, fala com clareza e traz uma convicção que só um cientista poderia trazer[/quoteesquerda]

[colunadireita]Olhar para o espaço também faz esse convite, pois, em vez de criar uma sensação esmagadora de inexpressividade do ser humano se colocado em escala cósmica, pode incentivar as mentes certas e ir além dos limites do conhecimento e ampliar essa participação. Claro, é tudo questão de ponto de vista, mas a empolgação do apresentador abre o caminho para o positivismo da mensagem, não a depressão pelo fato de sermos apenas segundos no calendário cósmico e partículas quase inexpressivas na imensidão do universo conhecido.[/colunadireita]

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DeGrasse Tyson vai bem como âncora, fala com clareza, entende absurdamente sobre o assunto traz uma convicção que só um cientista poderia trazer. E, de cara, já emplacou alguns bordões interessante como “we are made of star stuff” (somos feitos de material estelar).

[quotedireita]Carl Sagan criou a base para uma ciência acessível e realizável, e incutiu esse conceito nas pessoas, seja com a pesquisa ou com seu trabalho de ficção[/quotedireita]

Se Carl Sagan era o cientista e mestre, DeGrasse Tyson é o explorador estelar com os olhos inocentes de uma criança, a mente afiada do homem maduro e a curiosidade de incontáveis gerações ainda por vir. Muito por conta do visual melhorado, e da direção moderna, a “Nave do Conhecimento” é mais acolhedora, sem contar que lembra a Eva, do filme “Wall-E”. A produção é de Ann Druyan, viúva de Sagan, e de Seth MacFarlane, de “Family Guy”.

“Cosmos” tem por missão cruzar fronteiras, explicar as maravilhas e terrores das galáxias, visitar buracos negros, supernovas, falar sobre a criação do universo e buscar respostas por meio das teorias mais atuais. Assisti ao lado da minha filha de 7 anos, que já havia visto alguns episódios apresentados por Sagan, e a empolgação foi a mesma, ao conhecer a realidade por meio da ciência, com texto bom, explicação visual correspondente e conceitos provocadores – e irresistíveis – para mentes mais jovens.

Ela é muito falante, normalmente. Ficou em silêncio o programa todo, como se nada mais importasse. Foi interessante ver essa reação, pois testou a efetividade do material e a clareza da mensagem, mas sem falar a língua dela ou a minha: o resultado é algo universal.

Neil DeGrasse Tyson com  Ann Druyan e Seth MacFarlane
Neil DeGrasse Tyson com Ann Druyan e Seth MacFarlane

Depois de aprender sobre a origem do universo, os primórdios da Terra, de nossos ancestrais, o nascimento da Lua e passear até os confins das galáxias conhecidas, “Cosmos” nos lembra de onde veio e para onde vai.

[quotedireita]O novo “Cosmos” é programa obrigatório para jovens inspirados e veteranos curiosos[/quotedireita]

DeGrasse Tyson compartilha a história do dia que passou com Carl Sagan, quando o professor tentou recrutá-lo para a universidade de Cornell, e da impressão que aquele encontro causou no “jovem negro de Nova Iorque”. A homenagem é emocional e muito justa, afinal, Sagan criou a base para uma ciência acessível e realizável e incutiu esse conceito nas pessoas, seja com a pesquisa ou com seu trabalho de ficção.

Ao lado da série educativa “How The Universe Works”, o novo “Cosmos: A Spacetime Odyssey” é um dos programas obrigatórios para jovens inspirados e veteranos curiosos sobre o mundo da ciência e a capacidade da engenhosidade humana, se colocada a serviço de uma causa nobre, claro.

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Fábio M. Barreto está em sua segunda viagem a bordo da Nave do Conhecimento,  adora ficção científica desde criancinha e até escreveu uma, “Filhos do Fim do Mundo”.

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Fábio M. Barreto

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