Anúncios chegam ao ChatGPT no Brasil (e quem paga R$ 39 também vai ver)
O piloto começa nesta terça com BETC Havas, Monks, Omnicom, Publicis e WPP dentro; ficar livre de publicidade passa a ser recurso do plano de R$ 99

Depois de muito "vem aí", O ChatGPT começa a exibir anúncios no Brasil. O piloto anunciado nesta terça vale para maiores de 18 anos nos planos Free e Go, chega junto com o México e segue a trilha de Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. A plataforma self-service para anunciantes deve abrir "nos próximos dias", e o piloto já nasce com BETC Havas, Monks, Omnicom, Publicis e WPP participando.
Repara no recorte dos planos: o Go não é o tier gratuito, é a assinatura de R$ 39,99 lançada em outubro com o Nubank, desenhada para converter os 50 milhões de usuários mensais que a OpenAI diz ter no Brasil. Quem paga quarenta reais por mês também vai ver anúncio. A ausência de publicidade virou recurso caro, disponível a partir do Plus, de R$ 99,99, na mesma lógica que o streaming ensinou: o plano barato com anúncio não substitui o grátis, substitui o caro.
O release promete que os anúncios serão "claramente identificados como patrocinados e separados visualmente das respostas", que "continuarão sendo geradas de forma independente". Conversas, memórias e dados pessoais não vão para os anunciantes, que recebem apenas visualizações e cliques.
Doze parágrafos depois, no mesmo documento, o diretor de investimento da Omnicom Media explica o produto para o mercado: com a IA generativa virando rotina, as marcas passam a disputar relevância "durante o processo de raciocínio que antecede uma decisão". As duas frases moram no mesmo release. Para o usuário, a promessa é que o anúncio fica do lado de fora do pensamento. Para o anunciante, o argumento de venda é estar dentro dele.

Segundo a Axios, a meta interna da OpenAI é US$ 2,5 bilhões em receita publicitária já em 2026, escalando para US$ 100 bilhões em 2030, quarenta vezes mais em quatro anos.
Enquanto isso, a Digiday flagrou a operação na fase mais tradicional possível de construção de negócio de mídia: cupom. Créditos de US$ 50 e US$ 100 para anunciante novo testar a plataforma, o mesmo manual que Google, Meta e TikTok usaram na largada. A empresa que prometia reinventar tudo está seguindo o playbook de adtech na ordem dos capítulos.
Em fevereiro, essa disputa ainda era comercial de Super Bowl. A gente cobriu a OpenAI usando o intervalo para posicionar o ChatGPT como sinônimo de inteligência artificial, e a Anthropic gastando o mesmo Super Bowl para dizer que Claude não terá anúncios. Seis meses depois, a divergência deixou de ser retórica e virou produto rodando no Brasil, com hora de início e agência contratada.



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