Adidas e Oasis vencem dois Grand Prix em Cannes Lions 2026 e definem o ano do entretenimento de marca
Nas quatro disciplinas de Entertainment, incluindo Gaming, Music e Sport, os júris convergiram numa só ideia; o Brasil saiu com quatro bronzes, de AlmapBBDO, Africa Creative e Drum Brasil

Os Grand Prix de Entertainment de Cannes Lions 2026 saíram, e o nome que mais apareceu foi o de uma banda. "Original Forever", a parceria entre Adidas e Oasis assinada pela Johannes Leonardo, levou dois Grand Prix de uma vez, o de Entertainment e um dos dois de Music.
Quatro júris, em salas separadas e com presidentes diferentes, chegaram à mesma conclusão sobre o que faz o entretenimento de marca funcionar. A marca precisa ter um papel claro e, em seguida, sumir. Como disse Chris Beresford-Hill, presidente do júri de Entertainment e CCO mundial da BBDO, o melhor trabalho nunca te faz sentir o "close gratuito do logo". Ninguém cumpriu isso melhor que a Adidas, que se costurou à turnê de reunião do Oasis sem apontar a câmera para a própria marca uma única vez.
A peça transformou a marca das três listras na banda das três listras. Virou o uniforme dos fãs, anunciou a turnê com um clipe que juntou os irmãos Gallagher pela primeira vez em 16 anos e abriu 41 shows para 2 milhões de pessoas. No pico, vendia um item por segundo, esgotou todo o estoque do Reino Unido e fez a Adidas virar a marca número 1 associada ao Oasis no país, com 33% dos compradores estreando na marca. O júri de Music premiou o mesmo trabalho de forma independente. Para o presidente Matt Murphy, CCO global da 72andSunny, "às vezes, fazer o óbvio é a escolha mais corajosa".
O segundo Grand Prix de Music foi para o clipe de "Berghain", da Rosalía com Björk e Yves Tumor. Rodado em película, sem efeitos. Murphy citou que muitos acham "roubado" ou "apelação" escolher um clipe famoso, mas que, paciência, a reação dele ao ver o vídeo pela primeira vez foi de "uau".
Em Gaming, Clash Royale resolveu um problema antigo pelo avesso. Em vez de processar os jogos que a copiavam, a marca convidou os jogadores desses clones a migrar todo o progresso, moeda e estatísticas para o jogo original. A presidente Lolly Thomson, CCO global da M+C Saatchi, resumiu o motivo da vitória: é algo que só um original consegue fazer. O movimento reposicionou Clash Royale como "o jogo de verdade", e converteu 2,3 milhões de jogadores.
E em Sport, o Grand Prix foi para uma virada de mesa peruana. O Deportivo Municipal, clube histórico de Lima rebaixado à terceira divisão, perdeu o patrocinador principal. A McCann Lima criou uma plataforma que transformou mil pequenos negócios de bairro, donos torcedores, em patrocinadores coletivos da camisa, redesenhada como uma grade de mil espaços. Foram mil patrocinadores em três meses. Para a presidente Shannon Washington, CCO e managing partner da 11 Ounces, o ponto não foi o troféu, e sim o precedente: "a vitória é um momento, mas a mágica está no aprendizado que o case deixa".
E o Brasil? 🇧🇷
No recorte brasileiro, não veio Grand Prix, mas veio presença real. A AlmapBBDO levou dois bronzes com o mesmo case, "The Triangle Theory", de Doritos, premiado em Entertainment e em Sport. A própria Shannon Washington citou o trabalho na coletiva, ao falar da obsessão dos fãs com teorias da conspiração.
A Africa Creative ficou com um bronze em Gaming, por "R2R←", de Brahma. E "Dirt Is Glory", de OMO, somou outro bronze em Sport, com a Drum Brasil entre as cocriadoras numa entrada dividida com Reino Unido e Estados Unidos. São quatro bronzes no total.
O Brasil também aparece, de novo, onde quase ninguém olha: nos créditos dos vencedores estrangeiros, inclusive nos ouros. A Satelite Audio e a Supersonica estão no ouro da Cerveza Victoria. A Dirty Work e a Jamute, no ouro "Beat Cancer Off". E a Canja Audio Culture, no "Played by Humans", que pontuou em três categorias. O craft brasileiro segue exportando sem bandeira.


