Criatividade 23 jun 2026

No craft de Cannes Lions 2026, duas vitórias da mão humana e uma da IA

As miniaturas da De'Longhi (Industry Craft) e a direção do clipe da Coinbase (Film Craft) venceram pelo trabalho humano; só o Digital Craft foi para o Project Genie, do Google. O Brasil saiu forte, com FutureBrand, Artplan, Lovely e AlmapBBDO

No craft de Cannes Lions 2026, duas vitórias da mão humana e uma da IA

O antitrend que levou o Grand Prix de Design ao rebrand feito à mão do Apple TV não foi um ponto fora da curva. Ele se repetiu nas outras três categorias de craft do Cannes Lions 2026. Em Industry Craft e Film Craft, venceu o trabalho humano. Só o Digital Craft abriu exceção.

Em Industry Craft, presidido pelo brasileiro Rafael Gil, da Artplan, o Grand Prix foi para "Tiny Coffee Shops", da De'Longhi pela LOLA. A marca transformou suas máquinas em cafeterias em miniatura, dioramas funcionais construídos à mão pelo cenógrafo Simon Weisse, o mesmo das maquetes dos filmes de Wes Anderson. Mais de oito meses de trabalho manual, semanas em cada peça. Para Gil, o case devolveu ao júri a capacidade de se sentir criança, "transformando pequenas decisões em emoções gigantes".

Em Film Craft, o Grand Prix coroou "Your Way Out", da Coinbase pela Isle of Any, premiado em direção. A presidente Pip Smart, da produtora Revolver, contou que a peça subiu naturalmente ao topo, à frente de favoritas como a alemã da Hornbach e a da On com Zendaya, por entregar algo que o júri "ainda não tinha visto".

A exceção, e talvez o dado mais interessante da semana, veio em Digital Craft. Ali o Grand Prix foi para o Project Genie, do Google, um modelo de IA que cria mundos jogáveis a partir de texto. O presidente Andrés Ordóñez, Global CCO da McCann, premiou o encontro de "magia e lógica": a tecnologia que habilita um meio genuinamente novo, não tecnologia pela tecnologia. No mesmo júri, Ordóñez distribuiu lápis aos jurados, um lembrete de que toda ideia começa num rabisco.

E o Brasil? 🇧🇷

E é exatamente aqui que o Brasil apareceu forte, mesmo num ano de retração. "Amazonia", a marca da Amazônia brasileira como destino de viagem, criada pela FutureBrand para a Embratur, levou prata em Industry Craft e Digital Craft. Somando o Design, que saiu no nosso post anterior, são três pratas em três disciplinas de craft, o case brasileiro mais premiado da leva.

A Artplan ficou com prata em Industry Craft pelo "Amazônia Alive – Book", para a Vale. A Lovely somou um bronze em Industry Craft ao ouro de Design do "Dancebook Brasil", o livro que registra samba, frevo e chula em partituras. E a AlmapBBDO emendou dois bronzes para O Boticário: "Departures", em Film Craft, e "Code Her", em Digital Craft.

O craft brasileiro ainda aparece, como sempre, nos créditos dos vencedores estrangeiros: Dirty Work e Jamute no "Beat Cancer Off", a Vox Haus de Petrópolis no "Oreo Cows", a Bumblebeat e a The Youth em peças de Dubai, dos EUA e do México. A bandeira fica de fora, o talento entra.

Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador e Publisher do B9

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