Netflix lança relatório "O Efeito Netflix" com US$ 325 bilhões em impacto econômico global na última década
Relatório marca 10 anos da expansão global da plataforma e chega num momento de pressão regulatória sobre streamings em múltiplos países; conteúdo não-inglês saltou de 10% para um terço de tudo que se assiste

US$ 325 bilhões. É o que a Netflix diz ter contribuído pra economia global na última década.
O número vem de "O Efeito Netflix", relatório publicado hoje (12) pelo co-CEO Ted Sarandos que mapeia o impacto econômico, cultural e social da plataforma desde 2016 — quando, num único dia, passou de 60 pra mais de 190 países. Dez anos depois, a Netflix produz originais em mais de 50 países e 50 idiomas, já filmou em mais de 4.500 cidades e investiu mais de US$ 135 bilhões em séries e filmes.

Os números de capa impressionam, claro. Mas o que dá substância ao relatório são os recortes por produção individual. Alguns exemplos citados:
- Stranger Things contribuiu com US$ 1,4 bilhão pro PIB americano ao longo de cinco temporadas. Mais de 8 mil empregos de produção. 200 dublês só na temporada final. 3.800 fornecedores de quase todos os estados, segundo a Netflix.
- Senna: 325 dias de filmagem em quatro países (Brasil, Argentina, Uruguai e Irlanda do Norte). Mais de 200 atores de 18 nacionalidades. 14 mil figurantes. Mais de mil profissionais de efeitos visuais.
- Cem Anos de Solidão: 150 artesãos colombianos construíram a Macondo fictícia num terreno de 540 mil metros quadrados em Alvarado, Tolima. Mais de 100 mil diárias de hotel em Ibagué durante as filmagens.
- Bridgerton adicionou mais de £275 milhões à economia britânica em três temporadas. Bath, na Inglaterra, teve impacto econômico de £5 milhões só com tours temáticos, hotéis e eventos inspirados pela série.
- Lupin contribuiu com mais de €90 milhões pra economia francesa. 600 fornecedores em três temporadas. 80 músicos da Orchestre national d'Île-de-France tocaram a "Lupin Symphony" no episódio final da segunda temporada.
- Alice in Borderland gerou mais de ¥12 bilhões pra economia japonesa. Nove meses só pra construir o set, incluindo centenas de peças de escombros artesanais.
- Guerreiras do K-Pop (KPop Demon Hunters) se tornou o filme original mais popular da história da Netflix. "Golden" foi a primeira faixa de K-pop a ganhar Grammy. Dois Oscars. O Duolingo registrou aumento de 22% nos americanos estudando coreano. Reservas de voo pra Coreia do Sul cresceram 25%.

O relatório também revela como o consumo de conteúdo mudou em dez anos. Conteúdo não-inglês representava menos de 10% do total de visualizações na Netflix. Hoje é mais de um terço. 70% do que se assistiu em 2025 veio de membros assistindo títulos de outro país que não o seu. 80% dos membros já assistiram conteúdo coreano. Anime gerou quase 1,5 bilhão de visualizações em 2025.
Mais de 75% dos títulos na Netflix são licenciados de parceiros, não originais. A plataforma trabalhou com mais de 3 mil empresas de licenciamento e mais de 2 mil produtoras na última década. Do lado de formação, a Netflix organizou mais de mil programas e eventos em cinco anos, alcançando mais de 90 mil pessoas em 75 países — de estudantes a profissionais experientes.

Sarandos aproveitou o relatório pra alfinetar a concorrência:
"Enquanto outras empresas de entretenimento recuam, nós seguimos em frente — destinando dezenas de bilhões de dólares à criação de conteúdo todos os anos, investindo em instalações de produção da Espanha a Nova Jersey e fomentando a indústria do entretenimento através de programas de treinamento."
Por que importa: O relatório é uma peça de comunicação corporativa, óbvio. A Netflix escolheu contar sua história pelo ângulo de impacto econômico e social num momento em que plataformas de streaming enfrentam escrutínio regulatório em múltiplos países — cotas de conteúdo local, tributação, debate sobre impacto em indústrias culturais nacionais.
"Antes de nos regular, veja o que geramos" é a leitura política do relatório. Mas por trás do posicionamento institucional tem dados que nenhuma outra empresa de entretenimento pode reivindicar. A Netflix virou a maior distribuidora de cultura não-americana do mundo. Séries coreanas, filmes indianos, dramas espanhóis, anime japonês — conteúdo que antes circulava em nichos agora chega a 190 países numa escala sem precedente.
Quando 70% dos membros assistem conteúdo de outro país e um terço de todo o consumo é não-inglês, a plataforma está cumprindo a promessa de 2016 — "levar histórias de todos os cantos a pessoas no mundo inteiro" — com números auditáveis.



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