Decretos de Trump bloqueiam TikTok e WeChat nos EUA, mas quase derrubam “Fortnite” no processo

Ordem executiva afirma que negócios com a Tencent e suas subsidiárias serão proibidos, mas esquece que empresa é dona de "League of Legends" e investidora importante da Epic Games

por Pedro Strazza

Depois de uma semana inteira de especulações, o presidente norte-americano Donald Trump cumpriu com o prometido e no fim da noite desta quinta-feira (6) assinou um decreto bloqueando todas as transações da ByteDance, dona do TikTok, com os Estados Unidos. Com um prazo de 45 dias para se tornar efetivo, a ordem executiva justifica a decisão afirmando ser um esforço para lidar com “a emergência nacional envolvendo redes de tecnologia de informação e comunicação” e declara ainda que os aplicativos controlados pela China “continuam a ameaçar a segurança nacional, políticas internacionais e economia” do país.

Enquanto o banimento da dona do TikTok era esperado, um movimento que pegou todo mundo de surpresa foi que Trump também assinou um segundo decreto bloqueando de maneira similar todas as transações em torno do WeChat, rede social popular no território chinês. A questão é que o texto do documento, tal qual o assinado contra a ByteDance, busca inviabilizar a existência do aplicativo mirando a suspensão de todas as transações da empresa responsável no país, a Tencent – que por um acaso tem investimentos maciços em inúmeras áreas, incluindo os games e “Fortnite”.

É um desastre em forma de texto. No decreto (que você pode ler na íntegra abaixo), o presidente estadunidense escreve com todas as palavras que após a expiração do prazo está proibida “qualquer transação relacionada ao WeChat por qualquer pessoa, ou em respeito a qualquer propriedade, sujeita à jurisdição dos Estados Unidos, com a Tencent Holdings Ltd.” e inclui logo depois que o banimento vale para “qualquer subsidiária da entidade”. A questão é que a companhia não existe apenas como dona do aplicativo mas possui negócios em inúmeras frentes, incluindo aí 40% das ações da Epic Games (que é responsável pelo “Fortnite”) e posse total sobre a Riot Games, o estúdio por trás de “League of Legends” – e a Tencent ainda possui ações na Activision Blizzard e na Ubisoft, pra se ter uma ideia do nível do drama.

As confusões provocadas pelo decreto geraram todo tipo de reação nas redes sociais, então não chega a ser uma surpresa que a assessoria da Casa Branca tenha se prontificado a esclarecer a situação de forma tão rápida. Procurada pelo Los Angeles Times, o órgão afirma que a ordem publicada pelo presidente em relação ao WeChat e a Tencent apenas se relaciona aos negócios tocados pela empresa sobre o aplicativo, não envolvendo qualquer outra posse da companhia.

Enquanto o mercado de games pode respirar aliviado, o caso revela de novo o grau de vulnerabilidade do caso tocado pela administração Trump contra esses redes sociais, justificadas em um discurso que não parece entender por completo a estrutura dos negócios que consideram uma “ameaça” aos interesses do país e sequer o que exatamente é o inimigo invisível que combatem.

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