Criatividade 27 jul 2026

Beefeater revela o que Jamiroquai tentava alcançar em “Virtual Insanity”: um gin sem álcool

Criada pela Lucky Generals, a sequência do clipe de 1996 tira Jay Kay da sala branca de Jonathan Glazer e o leva por nove cenários construídos fisicamente

Beefeater revela o que Jamiroquai tentava alcançar em “Virtual Insanity”: um gin sem álcool

Por 30 anos, fãs de Jamiroquai debateram o que Jay Kay tentava alcançar quando desliza em direção à câmera em Virtual Insanity. A Beefeater enfim desvenda o mistério, em causa própria, é claro: era uma garrafa de gin sem álcool.

No aniversário de três décadas do clipe, a marca da Pernod Ricard levou o cantor de volta ao cenário para filmar uma sequência. Na nova versão, a garrafa de Beefeater 0.0 funciona como chave: abre portas, literalmente, e tira Jay Kay da sala branca rumo a nove ambientes novos, com mais situações estranhas e mais chapéus.

O truque original do diretor Jonathan Glazer movia as paredes ao redor de um Jay Kay parado; a sequência inverte, e agora é o chão que anda. A produção da Magna Studios construiu os nove cenários de verdade e resolveu tudo in-camera: sem CG, sem IA, com coreografia do próprio Jay Kay, que trabalhou junto dos diretores para reencontrar a fisicalidade da performance de 1996.

O clipe original recebeu 10 indicações ao MTV Video Music Awards e levou quatro. Além de ter ficado gravado na memória de todo mundo que tinha a MTV ligada em 1996.

A camada de negócio atende pelo nome de "zebra striping": alternar doses de bebida com e sem álcool ao longo da noite. A campanha, assinada com a promessa de "Get More", posiciona o 0.0 como o que mantém a noite viva, e converte o homem que nos anos 90 era sinônimo de excesso em embaixador da moderação. O lançamento começa por Espanha e Itália, com desdobramentos em Reddit e Discord, garrafas especiais e até um elemento de videogame por vir.

Vinil Travelling Without Moving — Jamiroquai (1996)

O álbum de 1996 que carrega 'Virtual Insanity', 'Cosmic Girl' e 'Alright'. O chão da sua sala não vai se mover, mas o resto funciona igual.

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A recepção: quatro dias depois da estreia, o filme soma quase 1 milhão de views e 2,6 mil comentários no canal oficial do YouTube, num tom raro para publicidade: gratidão. "We got Virtual Insanity 2 before GTA VI" acumula 8,9 mil likes. Outro usuário confessa que só percebeu que era anúncio de gin no final. E o comentário que pode ficar como lição: "Que fique registrado: existe um público significativo para anúncios non-slop, bem feitos e originais."

Porém, também tem provocação: "Mas existe um público para gin sem álcool?"

Por que importa: quando quase tudo vira slop, "sem CG e sem IA" deixa de ser nota técnica de release e vira proposta de valor. Depois de dois anos de feed inundado por conteúdo sintético, o custo visível voltou a ser mensagem. Construir nove cenários físicos é caro, e a marca faz questão de que o público saiba. É o mesmo caso da identidade artesanal da AppleTV, que levou o Grand Prix de Design em Cannes Lions 2026.

A Lucky Generals vem transformando isso em método, aliás. Em maio passado, recriou plano a plano o comercial mais famoso do The Guardian, 40 anos depois. Minerar a memória afetiva da cultura pop com craft de época virou a aposta preferida de marcas que precisam falar com duas gerações ao mesmo tempo: quem viu o original em 1996 e quem conhece Virtual Insanity pelo algoritmo.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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