Negócios 23 jul 2026

Spaten põe whey protein e colágeno numa receita de mais de 600 anos

Desenvolvida em cinco anos no centro de inovação da Ambev no Rio, a Munich Dunkel escura chega em agosto a São Paulo e ao Rio por R$ 10 a R$ 13 a lata, o dobro do preço da versão comum

Spaten põe whey protein e colágeno numa receita de mais de 600 anos

A Spaten Pro tem seis ingredientes: água, malte, lúpulo, levedura, whey protein e colágeno.

Os quatro primeiros são o repertório clássico da cervejaria bávara, o mesmo que a Lei da Pureza de 1516 fixou para o que podia se chamar de cerveja na Alemanha. Já os dois últimos vieram do corredor dos suplementos, diretamente da febre da proteína que se instalou no ocidente.

A Spaten Pro é uma Munich Dunkel escura, sem álcool, com 10 gramas de proteína por lata de 350ml. Chega no fim de agosto a São Paulo, ao Rio e ao Zé Delivery, entre R$ 10 e R$ 13, o dobro do preço de uma lata comum. Foram cinco anos de desenvolvimento no CIT, o centro de inovação da Ambev no Parque Tecnológico da UFRJ, e mais de 100 protótipos até a receita fechar.

O estilo escuro não entrou por tradição. Proteína tem um sabor que a cerveja não pede, e o caramelo e o cacau do Dunkel disfarçam melhor do que uma lager clara faria. Segundo o diretor do CIT, Lucas Dato, afirmou ao InvestNews, a maior parte da solução veio menos de um aditivo e mais do jeito como a fermentação foi conduzida.

O Brasil vendeu 14,75 bilhões de litros de cerveja em 2025, queda de 5,1% sobre o ano anterior, segundo a CervBrasil. As sem álcool foram na direção oposta, de 140 milhões de litros em 2019 para 702 milhões em 2024, com estimativa de 785 milhões em 2025, pela Euromonitor.

O contraste aparece com nitidez ainda maior dentro da própria Ambev: no primeiro trimestre de 2026, o volume total de cerveja da companhia no Brasil cresceu 1,2%, enquanto o portfólio que ela batizou de "escolhas equilibradas" avançou na casa dos 70%. A categoria encolhe, e o único pedaço que cresce é o que subtrai da cerveja aquilo que a define. Vender para quem já bebe deixou de ser a conta que fecha; a fronteira agora é quem parou de beber, ou moderou por conta da saúde.

Tirar o álcool foi decisão, não limitação técnica, e a empresa diz isso abertamente. Somada ao preço dobrado e ao apelo funcional, a Spaten Pro mira o consumidor que trocou a lata pelo shake e talvez aceite voltar se a lata parecer um pouco com o shake. É a mesma corrida que a Heineken disputa com a Ultimate, de teor reduzido e 30% menos calorias, e com a Sol 0.0 enriquecida com vitaminas, e que a própria Ambev já corria com a Corona Cero e sua vitamina D, ou com a Michelob Ultra, que mais que dobrou de volume no país.

Convém dimensionar o apelo. Dez gramas de proteína equivalem ao que há num copo de leite. Para quem contabiliza proteína na rotina, o número é um complemento, não uma refeição, e o principal trabalho que ele faz é dar à lata uma justificativa para existir na mesa de quem anda evitando cerveja.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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