Netflix apresenta agentes de IA que compram anúncios sozinhos e mira US$ 3 bilhões em receita de ads
Plano com anúncios já tem 35 milhões de pessoas ativas mensais no Brasil; a partir de junho, anunciantes brasileiros podem segmentar campanhas com dados de intenção de compra da Amazon

A fase de provar que leva publicidade a sério acabou. A Netflix agora quer ser formidável nela, segundo seus próprios executivos.
No seu quarto Upfront de publicidade, em Nova York, a Netflix apresentou agentes de IA que compram e otimizam anúncios de forma autônoma, anunciou integração com dados da Amazon pra segmentação no Brasil e revelou que o plano com anúncios já alcança 250 milhões de pessoas ativas mensais no mundo. A receita de publicidade está a caminho de dobrar pelo segundo ano consecutivo, uma projeção de US$ 3 bilhões em 2026.
Amy Reinhard, presidente global de publicidade da Netflix, abriu com a frase que posiciona o momento:
"Se os últimos anos foram sobre provar que somos um player sólido e consistente, este ano é sobre nos estabelecer como formidáveis."
Os números no Brasil
35 milhões de pessoas ativas mensais no plano com anúncios. Crescimento de 20% sobre 2025. A Netflix lidera streaming no país com crescimento duas vezes maior que a concorrência. 63% dos assinantes consideram a Netflix seu principal serviço de streaming. 80% dos assinantes do plano com anúncios assistem toda semana.
Agentes de IA pra comprar anúncios

A Netflix apresentou três ferramentas de IA que mudam como anúncios são comprados na plataforma:
A primeira transforma pedidos de inserção em planos de mídia automaticamente. A segunda gerencia, otimiza e compra anúncios na plataforma sem intervenção humana — agentes autônomos que operam do planejamento à execução. A terceira adapta assets criativos existentes pra diferentes formatos (vídeo vertical, pause ads) sem precisar recriar do zero.
Marcas como DoorDash, Target e TurboTax já testaram a ferramenta de matching criativo com conteúdo lançada no ano passado nos EUA. A Netflix disse que melhorou significativamente qualidade e execução. A expansão pra todas as regiões com anúncios acontece até o fim do ano.
A Netflix está tentando tornar comprar anúncio na plataforma tão fácil quanto assistir conteúdo nela.
Amazon Audiences no Brasil
A partir de 1º de junho, anunciantes no Brasil e no México poderão usar Amazon Audiences pra orientar compras programáticas na Netflix. Na prática: dados de intenção de compra, estilos de vida e produtos que o consumidor está buscando ativamente na Amazon são usados pra segmentar quem vê o anúncio na Netflix.
Os dados são proprietários da Amazon. A integração leva dados de e-commerce pra o ambiente de TV conectada. É a ponte entre "o que o espectador quer comprar" e "o que ele está assistindo." Quando um anunciante sabe que o espectador pesquisou um produto na Amazon e pode servir anúncio relevante enquanto ele assiste série na Netflix, a conversa muda de awareness pra performance em streaming.
Novos formatos e inventário

A Netflix está levando anúncios pra além da tela horizontal de streaming:
Podcasts: a Netflix está lançando podcasts e, a partir de 2027, terá inventário de anúncios nesse formato.
Vídeos verticais: com o lançamento de vídeos verticais pra celular e tablet, novo inventário de ads acompanha.
Tudum: o site oficial de fãs (24 milhões de views mensais) abre pra parcerias de marca. Programática em pause ads e conteúdo ao vivo via Dynamic Ad Insertion.
O inventário publicitário da Netflix sai de "anúncio antes da série" e se espalha por podcast, mobile vertical, site de fãs e pausas.
Expansão e conteúdo

A partir de 2027, o plano com anúncios chega a 15 novos países: Colômbia e Peru na América Latina, mais Áustria, Bélgica, Dinamarca, Indonésia, Irlanda, entre outros. Mais países, mais inventário, mais receita.
Do lado de conteúdo, a Netflix anunciou US$ 20 bilhões em investimento em entretenimento. NFL renovada por quatro anos (até temporada 2029-2030). Copa do Mundo Feminina 2027. Novas temporadas de Wandinha, O Agente Noturno, Emily em Paris, Outer Banks, Avatar, Casamento às Cegas. Stranger Things. Tour internacional de Guerreiras do K-Pop em 2027. Happy Gilmore 2. Gente Grande 3.
Bela Bajaria, líder global de conteúdo, reforçou o interesse de marcas em esportes femininos: "Há muito interesse nos upfronts de marcas que querem se envolver na onda dos esportes femininos."
Por que importa: Cobrimos ontem o relatório "O Efeito Netflix" — US$ 325 bilhões em impacto econômico global, Sarandos dizendo "enquanto outros recuam, nós seguimos em frente." O Upfront é a outra metade da mesma semana. O relatório falou com governos e reguladores. O Upfront fala com anunciantes. Os dois juntos constroem a narrativa de que a Netflix é grande demais pra ser ignorada.
E os agentes de IA que compram anúncios sozinhos são a aposta de que o futuro da compra de mídia é autônomo. Na Netflix, não é o media buyer que escolhe o plano. A IA escolhe, executa e otimiza. O papel do humano migra de operação pra supervisão. É a mesma lógica que a IA aplica em outras indústrias chegando à compra de mídia em streaming.


