YouTube promete mais IA em 2026 (mas jura que não é slop)
CEO Neal Mohan detalha roadmap que inclui combate a conteúdo de baixa qualidade enquanto lança mais ferramentas que... geram conteúdo com IA

O YouTube quer que você crie Shorts usando uma versão sua gerada por inteligência artificial. É o que anunciou o CEO Neal Mohan em carta detalhando os planos da plataforma para 2026.
Por que importa: A maior plataforma de vídeo do mundo está dobrando a aposta em IA generativa no exato momento em que a internet afoga em "AI slop". O próprio Mohan reconhece o problema no mesmo texto em que anuncia mais ferramentas para gerar conteúdo sintético.
O que vem aí:
- Shorts com seu avatar de IA — Você poderá criar vídeos curtos usando sua própria imagem gerada artificialmente. Detalhes de funcionamento ainda não foram revelados.
- Jogos por prompt — A plataforma Playables (em beta) permite criar games usando Gemini 3 com um único comando de texto.
- Ferramentas musicais de IA — Novos recursos para criação e experimentação sonora.
- Compras sem sair do app — Quando um criador recomendar um produto, você poderá comprar direto no YouTube.
Os números:
- 200 bilhões de visualizações diárias em Shorts
- US$ 100 bilhões pagos a criadores nos últimos 4 anos
- 6 milhões de espectadores consumiram 10+ minutos de conteúdo autodublado por IA em dezembro
- 20 milhões de usuários usaram a ferramenta "Ask" para fazer perguntas sobre vídeos
- US$ 55 bilhões de contribuição ao PIB americano em 2024
O paradoxo do slop: Mohan dedica um trecho inteiro da carta ao combate de "conteúdo de baixa qualidade gerado por IA". A plataforma diz estar aprimorando sistemas contra spam, clickbait e material repetitivo. Ao mesmo tempo, anuncia ferramentas que facilitam a criação em massa de conteúdo sintético. A solução para o problema, aparentemente, é criar mais do problema.
Sobre deepfakes: O YouTube promete rotular claramente conteúdo gerado por IA, exigir que criadores divulguem mídia sintética e remover material prejudicial. A empresa também reafirmou apoio ao NO FAKES Act, legislação americana contra falsificações digitais. Uma ferramenta de detecção baseada no Content ID permitirá que criadores identifiquem uso não autorizado de sua imagem.
Para famílias: Pais poderão zerar o tempo de navegação dos filhos em Shorts. É a primeira plataforma do setor a oferecer esse controle, segundo o YouTube.
Entre as linhas: A carta é também um manifesto de posicionamento. Mohan faz questão de dizer que "a era de descartar esse conteúdo como UGC acabou há muito tempo" e que criadores merecem reconhecimento de premiações tradicionais. A menção às indicações ao Emmy de Ms. Rachel não é casual: o YouTube quer ser tratado como estúdio, não como repositório.
A real: O texto de Mohan é um exercício de equilibrismo retórico. De um lado, promete combater o AI slop. Do outro, lança ferramentas que facilitam sua produção industrial. A aposta é que os sistemas de recomendação conseguirão separar joio do trigo, priorizando conteúdo "de qualidade" mesmo quando a quantidade de material sintético explodir. É uma aposta otimista. A realidade das redes sociais mostra que volume quase sempre vence curadoria. Se você já está cansado de Shorts genéricos, a notícia de que em breve eles serão feitos por clones digitais dos criadores talvez não seja exatamente reconfortante. Pelo menos agora você pode tirar Shorts dos resultados de busca.



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