Depois de polêmica com “Stranger Things”, Netflix promete reduzir presença de tabaco em suas séries

Principal série do serviço de streaming hoje é também a que mais conta com cenas de personagens fumando, superando com tranquilidade as produções “adultas” do estúdio e de outras emissoras

por Pedro Strazza

Em pronunciamento oficial feito pelo Hollywood Reporter, a Netflix confirmou que irá buscar a reduzir a presença de cigarros e outros itens de fumo em suas produções originais com classificação indicativa igual ou menor que 14 anos. A declaração acontece poucos dias depois de um relatório mostrar que o serviço de streaming não só foi a emissora com maior registro visual de drogas do tipo em suas produções pelo segundo ano consecutivo como triplicou seus números entre 2015 e 2017.

“A Netflix apóia fortemente a expressão artística. Nós também reconhecemos que fumar é um hábito danoso e que quando retratado de forma positiva na tela ele pode divulgar e influenciar o público jovem” afirmou um representante da empresa ao THR no anúncio da medida; “À partir de agora, todos os novos projetos que comissionarmos com classificação indicativa igual e menor que 14 anos ou filmes com censura igual e menor a 13 anos serão livres de cigarros ou e-cigarettes, exceto por razões de contexto histórico e factual”. O estúdio também acrescenta que mesmo produções com censura maior que as citadas contarão com restrições “a não ser que seja essencial para a visão criativa do artista ou porque seja um traço definidor do personagem” em termos históricos ou culturais.

Criado pela organização dedicada à saúde pública e sem fins lucrativos The Truth Initiative, o estudo “While You Were Streaming: Smoking On Demand” disparou toda a polêmica em torno da plataforma ao calcular o número de vezes que produtos relacionados ao tabaco são usados em treze séries de diferentes emissoras e serviços. Os números assustam justo pela discrepância da Netflix com os canais tradicionais de TV, seja aberta ou a cabo: só na temporada 2016/2017 a gigante do streaming chegou a mostrar personagens fumando 866 vezes em seus conteúdos originais, enquanto na concorrência “tradicional” (e sujeita a certas regulamentações do meio televisivo) só foram avistadas 343 usos de drogas do tipo.

Ainda que os números assustem, a controvérsia real surgiu perante a participação perturbadora de “Stranger Things” nestas estatísticas. Notadamente a série mais popular do serviço hoje e protagonizado por crianças e adolescentes, o seriado dos irmãos Duffer manteve uma participação recorrente de cigarros e itens do tipo em suas duas temporadas, tendo chegado a aumentar a participação destes produtos na sua segunda temporada e superando com tranquilidade séries “adultas” da plataforma como os anos iniciais de “House of Cards” e “Orange is the New Black”.

“Tanto nas temporadas 2015-16 e 2016-17, os programas episódicos da Netflix mantiveram um número total de representações do tabaco muito maior que os de programas exibidos na TV aberta e a cabo, com ‘Stranger Things’ se mostrando a série com maior uso de tabaco no geral” escrevem a entidade na divulgação dos resultados; “Nossos pesquisadores descobriram que 100% dos episódios de ‘Stranger Things’ analisados incluem a droga”.

O estudo da The Truth Initiative também chamou a atenção da Amazon Prime Video e do Hulu pelo uso desmedido de tabaco nas produções “The Marvelous Mrs. Maisel” e “Gap Year”, respectivamente.

Além da promessa de redução da droga em seus programas, a Netflix também acrescentou no pronunciamento oficial sobre o caso que começará também a incluir a informação de presença do tabaco nos avisos de classificação indicativa de sua plataforma. A medida é feita exatamente para ajudar seus assinantes “a fazerem escolhas informadas sobre o que estão assistindo”.

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