Desenhar alienígenas para encontrar vida além da Terra
Projeto cria planetas especulativos para investigar possíveis formas de vida alienígena e mostra como a linguagem visual pode expandir a ciência

O projeto Proxima Kósmos usa imagem, forma e modelagem visual para investigar como a vida poderia emergir em mundos completamente diferentes do nosso. Apresentada na sessão “Building the Alien: Morphology, Mutation & Future Life”, a iniciativa cruza pesquisa, especulação e direção de arte para tentar responder a uma pergunta improvável: como imaginar organismos extraterrestres sem repetir os padrões da Terra? A pesquisadora Claire Webb e o designer Shane Griffin explicaram que a ideia é criar mundos especulativos e plausíveis, baseados em química, astrobiologia, dados de telescópios e princípios evolutivos.
Em Acrótera, a vida aparece em cavernas de gelo, em simbioses que lembram fungos e slime molds inteligentes. Nousera imagina um mundo em que informação circula pela luz, como se o planeta inteiro pensasse por sinais ópticos e auroras. Já Xenoterra, talvez o mais “familiar” dos três, abriga criaturas e paisagens que até ecoam formas terrestres — algo que voa, algo que rasteja, algo que nada — mas sem precisar copiar os caminhos da evolução darwinista que conhecemos.

Para o Shane, o design funciona quase como uma prótese da imaginação científica para criar ambientes, texturas, corpos, sistemas e relações visuais que permitam enxergar o que ainda não existe — ou o que talvez exista, mas ainda não sabemos reconhecer. A visualização não aparece como tradução simplificada de uma ideia pronta, mas como parte do próprio processo de pesquisa. Ao transformar hipóteses em imagem, o projeto testa limites, organiza complexidade e torna discutível aquilo que, em texto puro, permaneceria abstrato demais. Em vez de decorar a ciência, o design ajuda a formular a pergunta.
Building the Alien mostra que toda imaginação científica depende de linguagem — e que a linguagem visual pode ser decisiva para ampliar o que somos capazes de conceber. Ela ajuda a treinar nossa imaginação para não confundir “vida” com “vida parecida conosco”. E talvez esse seja o ponto mais interessante de todos: antes de encontrar algo lá fora, talvez a gente precise desaprender a achar que o universo inteiro deveria se parecer com a Terra.



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