Social Media 20 abr 2020

Facebook vai aplicar teste de sintomas do coronavírus ao redor do mundo para ajudar a mapear doença

CEO Mark Zuckerberg cita resposta lenta de governos e correlação eficaz de dados coletados pela plataforma com números de diagnosticados com doença como motivos para expansão

Facebook vai aplicar teste de sintomas do coronavírus ao redor do mundo para ajudar a mapear doença
coronga-facebook (1)

O Facebook anunciou nesta segunda-feira (20) que vai expandir para o resto do mundo a aplicação de um questionário virtual de diagnóstico do coronavírus no intuito de ajudar a mapear o andamento da disseminação da doença no planeta. Previsto para começar a ser disponibilizado no feed de notícias de outros países a partir da próxima quarta (22), o teste foi criado pela Carnegie Mellon University e já vem sendo aplicado nos EUA há duas semanas.

A decisão de aumentar o escopo da iniciativa se deve aos sinais positivos de que o teste de fato ajuda a melhor entender o status atual da pandemia nas regiões afetadas. Além dos pesquisadores da Carnegie Mellon afirmarem que uma média de 150 mil pessoas ao dia vem reportando o diagnóstico positivo do coronavírus depois de acessar o link no Facebook, o CEO da rede social Mark Zuckerberg publicou hoje no Washington Post uma coluna onde afirma que o estudo da universidade comprova a eficácia da correlação de dados públicos dos usuários com casos da doença.

"O mundo já encarou pandemias antes, mas desta vez nós temos um novo superpoder: a habilidade de reunir e compartilhar dados para o bem. Se nós usarmos de forma responsável, fico otimista que estes dados podem ajudar o mundo a solucionar esta crise de saúde e nos ajudar a chegar à estrada da recuperação" escreve Zuckerberg no texto, comentando ainda que o Facebook deve utilizar de todos os dados reunidos pelo questionário para produzir mapas interativos e diários sobre a pandemia ao redor do globo.

Já em entrevista ao The Verge, o CEO também comenta que a medida busca fornecer dados materiais sobre o status da doença em países onde governos não foram velozes o suficiente para reconhecer os perigos da pandemia. "Alguns destes governos francamente não estão animados com a ideia do mundo saber o número exato de casos da doença ou indicadores do quanto ela está se espalhando em seus países. Então coletar dados lá fora é uma ação importante" afirma o executivo.

A expansão global do questionário será possível graças a uma parceria firmada pelo Facebook com a Universidade de Maryland, que deve ser responsável pela coleta de dados global do teste. A expectativa dos grupos envolvidos é de que a quantidade de respostas no mundo seja similar ao do público estadunidense, o que por sua vez providenciaria um mapa muito preciso dos pontos críticos da pandemia ao redor do globo. Chances existem: de acordo com Zuckerberg, mais de 350 milhões de usuários usaram o centro de informações do Covid-19 no Facebook desde sua introdução na plataforma em meados de março.

Além do questionário, o Facebook também confirmou em seu blog oficial nesta segunda que expandiu sua parceria com pesquisadores de machine learning para aumentar o repertório de técnicas das previsões da disseminação da pandemia, incluindo aí previsões sobre como a doença pode afetar a demanda por serviços, respiradores mecânicos e equipamentos de proteção em hospitais.

Aberto a membros do B9. Crie sua conta grátis para participar.

Pedro Strazza

Ver todos os artigos →