Social Media 10 ago 2026

YouTube dobra as exigências para dividir dinheiro dos anúncios com creators

A partir de 1º de fevereiro de 2027, entrar no Programa de Parcerias vai exigir 8.000 horas de exibição no ano ou 20 milhões de views de Shorts; quem já monetiza mantém o status

YouTube dobra as exigências para dividir dinheiro dos anúncios com creators

Ganhar dinheiro com anúncio no YouTube vai ficar duas vezes mais difícil (para quem ainda não ganha). A partir de 1º de fevereiro de 2027, candidatos novos ao Programa de Parcerias continuam precisando de 1.000 inscritos, mas a exigência de horas de exibição dobra de 4.000 para 8.000 no ano, e a rota alternativa via Shorts dobra de 10 milhões para 20 milhões de views em 90 dias. É a primeira mudança grande nas regras desde 2018. Quem já está no programa mantém o status: basta aceitar os termos novos no Studio antes de eles entrarem em vigor.

A segunda mudança atinge todo mundo, inclusive quem já monetiza. Hoje, qualquer canal dentro do programa recebe pelos anúncios exibidos nos seus Shorts, tenha ele o alcance que tiver. A partir de fevereiro, esse dinheiro passa a ter um portão próprio: só recebe a fatia de anúncios e assinaturas sobre Shorts quem somar 10 milhões de views no formato a cada 90 dias. Quem ficar abaixo continua no programa e continua ganhando normalmente nos vídeos longos, mas a receita de Shorts pausa, e volta sozinha quando o canal cruzar a linha de novo.

São dois números parecidos com funções diferentes, e vale separar: 20 milhões é a porta de entrada de quem chega pela rota dos Shorts; uma vez dentro, o patamar de 10 milhões precisa ser contínuo a cada 90 dias.

A justificativa veio do VP de produto para criadores, Amjad Hanif. Segundo ele, é preciso ter milhões de views para gerar ganho relevante com anúncio em Shorts, então a exigência garante que a receita seja "significativa" para quem recebe. Repara no desenho da solução. O YouTube está admitindo que Shorts paga pouco por view, e o conserto escolhido não foi pagar melhor: foi restringir o pagamento a quem tem volume para não sentir. O RPM baixo não foi resolvido, foi tirado da vista.

Para quem fica abaixo da linha, o anúncio promete "novos programas de incentivo": bônus de YouTube Shopping, incentivos para acordos com marcas e um curioso ganho extra por "iniciar e fazer crescer trends", com detalhes ainda por vir. O primeiro degrau de monetização, com Super Thanks, membros e Shopping, segue acessível a partir de 500 inscritos, sem mudança.

A arquitetura fica nítida quando você separa de quem sai cada dinheiro. A publicidade, que sai do caixa do YouTube, concentra-se em quem tem escala. A base é redirecionada para vender produto, fechar publi e receber apoio direto do fã, receitas em que a plataforma intermedeia sem pagar.

A régua sobe no mesmo ano em que a plataforma fecha programação com Trevor Noah, lança "temporadas" para organizar canais como séries e gasta Super Bowl para zoar a TV medíocre. O YouTube quer ser comparado a Netflix e HBO, e emissora não paga todo mundo que aparece: emissora tem grade. Restringir quem entra na folha é montar a grade.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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