Social Media 13 jul 2016

Rede social pedia o primeiro filho dos usuários nos termos de serviço - e ninguém ligou

Site era parte de um estudo para provar que ninguém realmente lê os termos de serviço

Rede social pedia o primeiro filho dos usuários nos termos de serviço - e ninguém ligou
namedrop-redesocial

Se você precisava de uma prova de que ninguém realmente lê os termos de serviço dos sites onde se cadastram, um estudo recém-publicado pode ser o que você procura. O estudo foi conduzido pela dupla de professores americanos Jonathan Obar e Anne Oeldorf-Hirsch, que criaram uma rede social falsa chamada NameDrop. Eles então enviaram o site a 543 estudantes, que acreditaram que o site era real - e pelo menos 399 deles se cadastraram sem nem mesmo ler os termos de serviço.

Os termos diziam que os usuários que se cadastrassem concordavam em entregar seu primeiro filho para a empresa dona do site. Não tem um filho ainda? Sem problema, o mesmo texto dizia que ele poderia ser entregue até o ano de 2050. E além disso, na política de privacidade, os usuários concordavam em ter seus dados enviados diretamente para a NSA e para os seus futuros empregadores. Dos estudantes que realmente clicaram nos termos e supostamente leram o texto, boa parte deles se cadastrou de qualquer jeito.

[ltauto]

Importante lembrar também que já existem alguns serviços que simplificam a vida de quem não lê os termos de serviço mas se importa em saber o que cada um deles diz. O TOSDR, por exemplo, classifica cada um dos TOS de sites conhecidos e entrega bullet points de alguns deles, dizendo se eles respeitam direitos autorais do conteúdo que é criado pelos usuários ou se rastreiam o comportamento deles por cookies (foi nele que descobri que a OLX não permite excluir a conta). Então a desculpa de um termo ser longo demais já não cola.

Segundo a dupla, eles já tinham uma idea de que a famosa frase "Li e concordo com os termos de serviço" poderia ser a maior mentira da internet, mas a pesquisa ajudou a solidificar essa teoria com dados. Só fico um pouco com o pé atrás com o fato de que no experimento, os estudantes foram informados de que a universidade estava trabalhando em parceria com a rede social, o que pode ter causado uma confiança por transitividade. Mas ainda é um estudo fascinante assim mesmo. Ele está disponível para ler na íntegra neste link.

Aberto a membros do B9. Crie sua conta grátis para participar.