Instagram vai reduzir alcance de perfis de IA que fingem ser humanos
Rede muda selo para “perfil gerado por IA” e tira de Reels e Explorar contas sintéticas que não se identificarem

O Instagram começou a traçar uma linha um pouco mais clara entre usar inteligência artificial para fazer um post e usar inteligência artificial para inventar a pessoa que está fazendo o post.
A plataforma anunciou novas regras para perfis construídos em torno de personagens humanos gerados por IA. O selo “AI creator” passa a se chamar “AI-generated profile”, ou “perfil gerado por IA”, deixando mais explícito que aquela pessoa que aparece nas fotos e vídeos não existe.
A mudança vem de uma reclamação bastante simples. Segundo o próprio Instagram, usuários não gostam de acompanhar um perfil que parece pertencer a uma pessoa real e descobrir só depois que estavam seguindo um personagem sintético.
A partir de agora, contas desse tipo precisam se identificar. Quando o Instagram detectar um perfil gerado por IA que não fez isso, poderá reduzir seu alcance, impedindo que as publicações sejam recomendadas para não seguidores no Reels e na aba Explorar. Quem for marcado por engano poderá recorrer da decisão.
É uma punição relevante no Instagram de hoje. Para muitos creators, aparecer nas recomendações é justamente o mecanismo que leva conteúdo para fora da base existente e permite que uma conta cresça.

A regra, porém, não significa que o Instagram começou a limpar AI slop do feed. Uma pessoa real pode continuar usando ferramentas generativas para produzir imagens, vídeos ou outros conteúdos sem transformar seu perfil em um “AI-generated profile”. O alvo é a identidade sintética apresentada como se fosse gente.
Essa distinção ficou mais necessária porque o velho “influenciador virtual” mudou bastante. Em 2020, quando o B9 mostrou Maya, personagem digital criada para uma campanha da Puma, a artificialidade fazia parte da própria novidade. Personagens como Lil Miquela também construíram fama justamente por existirem nessa fronteira entre ficção, publicidade e rede social.
Um exemplo popular é Aitana López, criada pela agência espanhola The Clueless. Cabelo rosa, academia, viagem, moda, selfie, publi: visualmente, o perfil poderia passar sem dificuldade por mais uma influencer de lifestyle no Instagram.
A diferença é que Aitana não existe. Toda a personagem é gerada por IA, e a agência transformou essa identidade fictícia em negócio, com centenas de milhares de seguidores e contratos comerciais. É um bom retrato de como a barreira de entrada mudou: o que antes exigia uma operação cara de personagem virtual hoje pode ser produzido com ferramentas muito mais acessíveis e convincentes.
O resultado é uma quantidade crescente de contas que copiam a rotina visual dos influencers de carne e osso: viagem, academia, restaurante, roupa, selfie, publi e thirst trap. Algumas vendem produtos ou assinaturas; outras espalham golpes, propaganda política ou simplesmente tentam transformar atenção humana em dinheiro.
O Instagram vinha lidando principalmente com posts gerados por IA, aplicando avisos a imagens e vídeos quando identifica metadados ou recebe uma declaração do usuário. A nova política desloca a sinalização para o perfil inteiro quando o próprio personagem é artificial.
Ainda sobra um problema maior. Adam Mosseri, chefe do Instagram, já disse que “autenticidade está se tornando um recurso escasso” com o avanço da IA. Mesmo assim, a plataforma continua sem oferecer uma opção para o usuário simplesmente dizer que prefere ver menos conteúdo gerado artificialmente.



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