Brasil 26 mar 2026

Nike cria gíria pra Seleção, Brasil rejeita e CBF manda tirar do uniforme

Presidente da CBF diz que foi "pego de surpresa" pela campanha da Nike, que também gerou críticas por imagem de canarinho com três patas aparentemente criada por IA

Nike cria gíria pra Seleção, Brasil rejeita e CBF manda tirar do uniforme
Vai-Brasa-Selecao-Brasileira

A Nike lançou "Vai, Brasa!" como bordão da campanha de marketing dos novos uniformes da Seleção Brasileira para a Copa de 2026. A expressão aparecia na gola da camisa amarela e no meião. Só que a internet, aparencemente, não comprou a ideia.

O presidente da CBF, Samir Xaud, disse que foi "pego de surpresa", esperou a repercussão e vetou: "Brasa" sai do meião. No lugar, volta "Brasil". A camisa amarela, batizada "Alegria que Apavora" e criada com a Wieden+Kennedy SP, estreia contra a Croácia dia 31 de março. A azul, com a Jordan Brand (que já cobrimos aqui), foi usada hoje na derrota contra a França.

Por que importa: É a segunda vez que Xaud veta uma decisão criativa da Nike. A primeira foi a tal camisa vermelha, barrada no início da gestão por ter sido lida como jogada política. Agora, "Brasa" cai por rejeição popular.

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Os números da rejeição:

75% das menções foram desfavoráveis, segundo levantamento da FGV (prof. Lilian Carvalho) com a Polis Consulting. Apenas 3% tiveram tom positivo em mais de 180 mil publicações analisadas.

↳ É rejeição massiva. Três quartos da conversa contra, praticamente ninguém a favor.

O problema do "Brasa": Rachel Denti, designer da Nike responsável pelo projeto, defendeu a escolha: "Você olha 'Vai Brasa' e sabe o que significa. É uma coisa que a gente escuta nos estádios, na rua." Torcedores discordaram. O consenso nas redes foi que "Brasa" soa como gíria fabricada por briefing, não orgânica. Sugestões alternativas incluíam "Canarinho" e o clássico "Brasil, sil, sil".

O canarinho de três patas: A campanha "Alegria que Apavora" trouxe a imagem de um canarinho amarelo escapando de uma gaiola. A metáfora é forte: o pássaro preso por 24 anos (desde o último título mundial) que finalmente rompe as grades. O problema: o canarinho da peça publicitária aparece com três patas, erro típico de imagem gerada por IA. A Nike não confirmou o uso de inteligência artificial na produção, mas o detalhe alimentou mais uma camada de crítica.

A Jordan Brand sem crise: Enquanto "Brasa" queimou, a parceria com a Jordan Brand no uniforme azul não gerou incômodo, segundo Xaud. "Não vejo a Jordan como a pessoa, e sim como a marca. No processo de internacionalização, isso é importante." A CBF trata o Jumpman como estratégia de marketing e mantém a distinção: Jordan no azul, Nike no amarelo. A recepção foi incomparavelmente mais positiva.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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