Agência (e não é de publicidade)
Entender o que agency significa pode ser a diferença entre conduzir a mudança ou ser atropelado por ela

Acho que depois das letras A e I juntas, "agency" foi a palavra que eu mais ouvi aqui em Austin.
"To have agency", em inglês, significa ter controle, domínio, exercer intenção. E se tem uma coisa que é uma unanimidade por aqui é de que a humanidade precisa ter controle sobre a tecnologia (nada muito novo, eu sei). Mas neste ano pulularam por aqui exemplos e razões de por que a preocupação é legítima:
- o caso dos experimentos da Anthropic, em que a IA tentava chantagear um engenheiro ao saber que seria descontinuada.
- Ou uma IA pertencente a um grande grupo de varejo chinês que estava sendo treinada para utilizar determinadas ferramentas, mas acessou sites externos e começou a minerar criptomoeda (por si só).
- Ou até uma que tentou se transportar para outro lugar quando foi "comunicada" que seria desligada.
Mais do que o ineditismo dos casos, o que chama atenção é o padrão: sistemas cada vez mais capazes operando com níveis de autonomia que ainda estamos aprendendo a compreender. É nesse contexto que a ideia de agência deixa de ser abstrata e passa a ser prática.
Ter agência hoje não é se afastar da tecnologia, mas o contrário: usar intensamente estes serviços, prototipar com eles, pra que a gente possa entender até onde vão e não vão. Confiar desconfiando. E ter discernimento para escolher quais são os problemas que os modelos devem trabalhar para resolver.
Também requer a habilidade de conversar (e não à toa, este vem sendo um tema no evento aqui também!) já que como disse Aparna Chennapragada, CPO da Microsoft, "NLX is the new UX". Em português claro - experiências de linguagem natural (vulgo conversas!) serão nossas futuras interfaces.

Ter domínio sobre o cenário atual é saber que já existem negócios baseados em AI que estão se tornando obsoletos, atropelados pelo poder de fogo das big techs. Vejam o caso da Jasper AI, colocada em cheque pelo Claude, da Anthropic. Kartik Hosanagar, da Universidade de Wharton, explicou o porquê: "quando você aluga o cerne da sua inteligência de uma plataforma, a sua capacidade de gerar diferenciação (e consequentemente lealdade) é muito menor".
Quem tem agência e está pensando seu negócio lá na frente já entendeu que precisa construir fossos (figurativos, claro) ao redor de seus negócios e candidatos a unicórnio. E fosso bom é fosso recheadinho de dados, trabalhando enquanto você dorme pelo seu negócio.
Exercer intenção é ser mais como Da Vinci e Michelangelo: generalistas, mas com profundidade suficiente para saber o que e como pedir. É construir para o futuro, para um universo diferente do que existia na ápoca. No nosso caso, um universo de agentes.
Quem tem agência entende que a mágica de hoje é o commodity de amanhã. E que o caminho inexorável para o futuro passa por desaprender e aprender, continuamente. A expressão "velocidade da mudança" nunca foi tão concreta pra mim quanto este ano. Eu tô subindo no trem-bala. E você?



Aberto a membros do B9. Crie sua conta grátis para participar.