Boticário transforma taxa de serviço de ingresso — universalmente odiada — em sessão de maquiagem nas lojas da marca
Ação criada pela LePub São Paulo parte da dor real do consumidor com taxas de até 20% na compra online de ingressos e devolve o valor como serviço tangível no Studio Boti

A taxa de serviço na compra de ingressos online é um dos custos mais odiados pelo consumidor brasileiro. O Boticário decidiu se apropriar dessa raiva.
Em parceria com a Eventim, a marca transformou o dinheiro jogado fora em "Taxa de Beleza" pra quem compra ingressos do C6 Fest 2026. A malfadada taxa de conviência vira experiências de maquiagem nas lojas do Boticário e Quem Disse, Berenice?, com direito a um item de maquiagem pra levar pra casa. A criação é da LePub São Paulo.
O C6 Fest acontece de 21 a 24 de maio no Parque Ibirapuera. A ação vale pra quem comprar agora e retroativamente pra quem já comprou — em até 24 horas após a compra, o cliente recebe e-mail informando sobre a campanha, com 30 dias pra usar a experiência em lojas participantes de todo o Brasil.
O insight parte de uma reclamação que não precisa ser explicada.
Taxas de 20% a 30% sobre o valor do ingresso são comuns no Brasil. No show do The Weeknd em São Paulo, a taxa de serviço da Ticketmaster (20%) mais a taxa de administração do Morumbis somavam mais de R$ 200 no setor mais caro. O Procon de São Paulo até pediu explicações. No show do My Chemical Romance, o acréscimo chegou a 30%. Consumidores relatam que taxas transformam ingressos de R$ 375 em compras de quase R$ 500. Gente atravessa a cidade pra comprar na bilheteria física só pra não pagar a taxa.
A Câmara dos Deputados analisa proposta pra limitar a taxa em 10% em todo o território nacional. No Rio de Janeiro, a lei já limita a 10%. Em São Paulo, não há teto. O STJ considerou a cobrança legal em 2024, desde que o valor seja informado com clareza ao consumidor. Mas "legal" e "justo" são coisas diferentes.
O Boticário não resolve a taxa. Mas muda a percepção. Em vez de custo invisível que irrita, a taxa vira experiência tangível que agrada. O dinheiro continua saindo do bolso do consumidor. Mas agora volta como serviço real: maquiagem profissional, produto pra levar, experiência em loja.
Laura Esteves, CCO da LePub São Paulo, definiu a mecânica: "A ideia foi criar uma plataforma que transforma, literalmente, a taxa de serviço em beleza. A gente não só amplia a conexão entre entretenimento e experiência de marca, como ressignifica a taxa de serviço como nunca antes."
Carolina Carrasco, diretora de branding do Boticário e Quem Disse, Berenice?, foi mais direta: "Se a taxa existe, ela precisa gerar valor para o consumidor. Ao transformar esse valor em algo tangível, posicionamos uma alavanca de negócio já consolidada em um novo patamar."
Durante o festival, promotores circulam pelo C6 Fest oferecendo retoques de maquiagem em tempo real. A experiência da loja se estende pro evento. A marca nomeia a operação como Studio Boti — plataforma de experimentação que opera em mais de 2.700 lojas do Boticário e cerca de 55 unidades de Quem Disse, Berenice?.



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