Criatividade 8 set 2026

McDonald’s constrói Atlântida à mão para trazer McFish de volta

Campanha da GALERIA inspirada em Wes Anderson usa maquetes e miniaturas para apresentar o clássico e sua nova versão Deluxe

McDonald’s constrói Atlântida à mão para trazer McFish de volta

Para trazer o McFish de volta (mais uma vez), o McDonald’s foi até uma cidade que nem existe (diriam os céticos). E, justamente por isso, decidiu construí-la de verdade.

O sanduíche retorna nesta terça-feira (8) a todos os restaurantes da marca no Brasil com McFish e a Receita Perdida de Atlântida, campanha da GALERIA que transforma a volta ao cardápio numa expedição arqueológica ao fundo do mar.

No filme, produzido pela Vetor Zero e com ilustrações da Dogsled, os chamados Fish Lovers encontram ruínas, murais, uma versão ancestral do Méqui 1000 da avenida Paulista e, finalmente, a receita perdida do sanduíche. A viagem ainda rende uma novidade: o McFish Deluxe, que acrescenta alface e tomate à receita tradicional.

É a continuação de uma mitologia cada vez mais desproporcional para um sanduíche de peixe.

Em 2024, o McDonald’s levou fãs ao Alasca para descobrir a origem do filé de Polaca usado no McFish. No mesmo ano, Fábio Jr. cantou “Borbulhas de Amor” para anunciar outra volta do produto.

Agora o destino precisou ser um pouco mais difícil de alcançar.

Atlântida construída à mão

A produção tem referências do cinema de Wes Anderson, mais especificamente ao filme A Vida Marinha com Steve Zissou, já que a Atlântida do Méqui foi construída fisicamente.

A equipe criou maquetes, prédios, ruínas e miniaturas para formar a cidade submersa, numa escolha deliberada justamente quando seria relativamente simples gerar boa parte daquele universo artificialmente.

“Hoje, o uso da IA torna toda produção possível, mas também trouxe um efeito de pasteurização e perda de originalidade”, diz Gabriel Felde, diretor de criação da GALERIA.

Segundo ele, o processo foi pensado para que a execução também despertasse curiosidade. A campanha não precisa esconder que aquelas ruínas são miniaturas. Parte da graça está em descobrir como elas foram feitas.

E o McFish não está sozinho nessa volta ao mundo físico, que se seguir a tendência o making of repercute mais que o próprio comercial em si.

Há poucas semanas, a Apple apresentou o novo Mac mini M6 com The Mighty Mac mini, comercial feito em massinha e stop-motion. Nada de IA ou CGI na animação de um computador anunciado, entre outras coisas, justamente por sua capacidade de rodar tarefas de inteligência artificial.

O contraste não parece acidental. Em março, o B9 já havia contado como a própria agência da Apple foi ao SXSW defender o artesanato, com o argumento de que tempo, imperfeição e evidência de trabalho humano voltaram a ganhar valor num cenário em que produzir imagens ficou barato e instantâneo.

Agora a GALERIA chega a uma conclusão parecida por outro caminho.

O que antes seria apenas uma decisão de produção começa a virar também parte da mensagem. Mostrar a maquete, a massinha ou a mão que construiu a cena funciona quase como certificado de procedência.

Quando qualquer coisa pode parecer saída de um prompt, provar que alguém realmente fez aquilo passou a ter graça própria.

Accidentally Wes Anderson, de Wally Koval

R$ 160 Se o Méqui construiu sua própria Atlântida inspirado em Wes Anderson, dá para fazer o caminho contrário e encontrar Wes Anderson no mundo real. O livro reúne lugares, fachadas, hotéis e paisagens fotografados ao redor do planeta que parecem ter escapado de um dos filmes do diretor.

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Uma comunidade que não deixa o peixe descansar

Antes do lançamento, o McDonald’s voltou a mobilizar a comunidade @VoltaMcFish, usando comentários dos fãs como matéria-prima para conteúdos. Um deles virou o Bolero da Saudade, com letra construída a partir de mensagens publicadas nas 24 horas anteriores.

Segundo Ilca Sierra, diretora de Marketing do McDonald’s no Brasil, a recorrência dessa comunidade permite tratar o McFish de maneira diferente dos produtos permanentes do cardápio.

Rodrigo Marangoni, diretor executivo de criação da GALERIA, chega a chamar o retorno de “momento cultural da marca”. Talvez seja um cargo grande para um filé de peixe empanado, mas depois de Alasca, Fábio Jr. e uma civilização perdida no fundo do oceano, o McFish claramente ganhou mais lore do que muito produto do Méqui.

A brincadeira também chega ao mundo físico. Nesta semana, o Méqui 1000, na avenida Paulista, recebe fachada e ambientação inspiradas em Atlântida.

O McFish tradicional e o Deluxe ficam disponíveis por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

Atlântida, infelizmente, deve voltar a desaparecer.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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