Além do Feed 23 ago 2026

O leilão pelo creator

YouTube e Netflix agora disputam creators como estúdios; público chinês transforma filme ruim em evento; e o Claude tenta assinar o que escreve

O leilão pelo creator
Good Mythical Morning, que a partir de setembro estreia episódios no YouTube e na Netflix ao mesmo tempo. É por programas assim que as duas plataformas começaram a brigar (reprodução)
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Além do Feed

Por Carlos Merigo · 23 ago 2026

Rhett e Link no estúdio do Good Mythical Morning

Rhett & Link no Good Mythical Morning, que a partir de setembro estreia episódios no YouTube e na Netflix ao mesmo tempo. É por programas assim que as duas plataformas começaram a brigar (reprodução)

Até outro dia, uma ambição declarada (ou não) do creator era chegar à televisão. É onde “o dinheiro de verdade está”, já ouvi por aí. Esta semana, conforme a grana e a ambição vão mudando, duas das maiores plataformas de vídeo do mundo começaram a discutir quanto custa impedir que esse mesmo creator circule livremente por aí. Lembra quando a Globo impedia seus artistas de participarem de atrações de outras emissoras? Pois é.

O YouTube negocia pagamentos de milhões de dólares para que grandes programas sejam exclusivos por algum tempo antes de aparecer na Netflix. A Netflix responde com uma proposta quase indecente de tão simples: paga por conteúdo que o creator já produz e deixa que ele continue publicando no YouTube. O que nasceu como economia de gente fazendo vídeo com webcam no quarto de casa virou um mercado de estúdios com catálogo, audiência, poder de barganha e a mesma briga por talentos de sempre.

Na China, uma animação feita durante cinco anos por um homem e sua mãe estreou sem campanha, vendeu menos de 300 ingressos em dez dias e parecia condenada a desaparecer. O público viu alguns trechos, decidiu que precisava testemunhar aquilo junto e transformou Niu Lai num fenômeno de bilheteria.

A terceira história começou na edição passada. A Anthropic vai esconder marcas estatísticas no texto do Claude para indicar uso da IA. Quatro horas depois do anúncio, antes mesmo do X9 ser lançado, já havia um código prometendo apagá-lo.

Nessa edição

01  O leilão pelo creator

02  Niu Lai: o filme tosco que virou uma rebelião de bilheteria

03  O Claude ganhou marca d’água. Quatro horas depois, ganhou removedor

04  Braincast 646 — a tecnologia perdeu o direito de parecer neutra

05  Cinemáticos 631 e 632 — saudade impossível e prazer sem castigo

06  Também passou pelo feed — mídia, branded content, métricas e IA

07  Qual é a boa? Quatro indicações da mesa