Criatividade 9 mai 2023

Web Summit 2023 - Rio: A construção do futuro com base em perguntas ainda sem respostas

Quando vivemos momentos tão transformadores, são as perguntas certas que nos movem

Web Summit 2023 - Rio: A construção do futuro com base em perguntas ainda sem respostas
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Estamos vivendo uma revolução da inteligência artificial ou uma revolução de user experience (experiência do usuário)? Qual trabalho a inteligência artificial automatiza? Falamos sobre a diferença entre vida real e vida virtual, mas a nossa vida não é real e virtual ao mesmo tempo? Como lidar com o fato que 99% dos produtores de conteúdo não conseguem gerar uma renda mínima a partir do seu trabalho?

Essas são somente algumas das perguntas que ouvimos e discutimos ao longo da última semana no Web Summit Rio, onde a Trillio participou como startup BETA. O evento, o primeiro Web Summit realizado fora da Europa, reuniu mais de 20 mil pessoas com um foco em trocas de experiências, conexões e conteúdo.

Muitos desses questionamentos ainda não têm respostas, e tá tudo bem! Quando estamos vivendo momentos tão transformadores, as perguntas certas têm o poder de nos mover, de nos instigar e provocar a pensar. E esse talvez seja o insight mais importante de todo o Web Summit: estamos entrando em uma fase de aceleração de mudanças com mais perguntas que respostas, que vai demandar de todos o desenvolvimento de competências como pensamento crítico, agilidade, ética, curiosidade e outras.

E falando sobre pensamento crítico, deixamos aqui abaixo alguns dos insights que ouvimos durante o Web Summit Rio sobre as perguntas do começo do texto, e um convite à reflexão: você concorda com eles? Que outras perguntas você pode fazer?

De acordo com a chief decision scientist do Google, Cassie Kozyrkov, não estamos vivendo uma revolução de inteligência artificial, mas, sim, uma revolução de UX. A IA está presente nas nossas vidas há anos, porém, ao invés de estar “escondida” do usuário nos algoritmos de recomendação e outras tecnologias, ela agora está evidente, abrindo a possibilidade que qualquer pessoa possa interagir e aprender. Para ela, estamos vivendo uma fase de aceleração da produtividade individual, o que abre muitas outras perguntas: como garantir justiça social quando muitas pessoas não têm acesso a essas ferramentas? Como olhar para além do indivíduo e resolver problemas da sociedade?

Ricardo Al Makul, founder e CEO da KES, falou sobre a necessidade de criarmos um vocabulário para lidar com o mundo que estamos vivendo, onde real e virtual são cada vez mais sinônimos. Da mesma forma que a internet trouxe termos que não existiam antes, onde o termo “dar um Google” pode ser encontrado no dicionário, essa era que estamos vivendo vai requerer um novo vocabulário.

O desafio de pensar em modelos de geração de renda para produtores de conteúdo foi um dos temas abordados por Sean Kim, da Kajabi. Ele afirmou que apenas 1% dos produtores de conteúdo de plataformas como YouTube, TikTok e outras conseguem gerar uma renda suficiente para sua sobrevivência. Ele trouxe exemplos da sua própria plataforma, a Kajabi, que, de acordo com seu site, “é uma plataforma de cursos online que permite desenvolver todas as atividades em um único site. Faz de tudo: cria cursos, comercializa-os e vende-os individualmente ou através de um sistema de adesão”. Esse comentário nos fez refletir sobre essa abundância excessiva de cursos on-line. Se 99% dos produtores de conteúdo estão vendendo cursos, haverá mercado para todos? Estamos vendo a criação de novos esquemas de pirâmide?

Sean Kim, da Kajabi. Foto: Elaine Reyes/Twitter

O Web Summit acabou, mas as reflexões e a busca constante por respostas e por novas perguntas estão apenas começando.


Marcelo Mejlachowicz

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