Negócios 27 ago 2020

No comando há 3 meses, Kevin Mayer se demite do cargo de CEO do TikTok

Executivo justifica saída culpando mudanças políticas do cenário em torno da rede social

No comando há 3 meses, Kevin Mayer se demite do cargo de CEO do TikTok
Kevin-Mayer

Não deu para Kevin Mayer. Pouco menos de três meses após assumir o comando, o executivo anunciou sua demissão do cargo de CEO do TikTok na manhã desta quinta-feira (27), em carta enviada aos funcionários da companhia. De acordo com o Financial Times, a gerente geral Vanessa Pappas assumirá a posição enquanto um substituto é procurado pela ByteDance.

A decisão pela saída se deu sobretudo pelo recente fogo cruzado ao qual a rede social foi submetida, em vista de seu banimento dos Estados Unidos após um decreto do atual presidente estadunidense Donald Trump. "Nas últimas semanas, conforme o ambiente político mudou drasticamente, eu fiz algumas reflexões significativas sobre o que as mudanças corporativas vão exigir, e o que representa o cargo global que eu aceitei assumir" escreve Mayer na carta lançada aos funcionários; "Perante este contexto, e conforme nós esperamos uma resolução muito em breve, é com o coração pesado que eu gostaria que vocês todos soubessem que eu decidi deixar a empresa".

Procurado pelo Engadget, um porta-voz da companhia escreve que o TikTok "entende que as dinâmicas políticas dos últimos meses mudaram de forma significativa a esfera de ação da posição de Kevin [Mayer]" e afirma respeitar integralmente a decisão.

A saída de Mayer surpreende não apenas pela brevidade de sua passagem na empresa - de novo, foram três meses - mas também porque sua justificativa em tese não corresponde a sua atuação no caso da briga do TikTok nos Estados Unidos. Enquanto CEO, o executivo se mostrou ativo e combativo nas tretas encaradas pela rede social com outras companhias de tecnologia, incluindo aí uma carta que publicou na manhã da audiência do Google, Facebook, Amazon e Apple no congresso, na qual fez críticas severas ao fato dos aplicativos de Mark Zuckerberg copiarem o modelo do TikTok e anunciou uma série de medidas de transparência em sua plataforma.

O TikTok agora busca um substituto combativo que esteja à altura do cenário intenso enfrentado nos Estados Unidos, onde busca anular o banimento encontrando um comprador até o fim de novembro deste ano, exatamente o cenário citado por Mayer em sua despedida. O executivo foi escolhido em maio sobretudo para atuar no "desenvolvimento global" da empresa e solidificar a área de atuação da plataforma após passar os últimos dois anos em rápida expansão, mas agora o jogo é outro e muito mais instável; se antes o jogo era de apaziguamento, agora as negociações são bem mais intensas e drásticas em suas consequências.

Vale acrescentar, porém, que 2020 definitivamente não é o ano de Kevin Mayer. Além de deixar o TikTok agora, o executivo também viu sua chance de se tornar CEO da Disney ir por água abaixo em fevereiro, quando Bob Iger optou por Bob Chapek para o cargo ao invés de promovê-lo de sua então posição como presidente do Disney+.

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Pedro Strazza

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