Criatividade 30 out 2025

Publicitários na prisão: curta ironiza escândalo dos cases fakes em Cannes Lions

A sátira “Catch Me If You Cannes”, da canadense Zulu Alpha Kilo, transforma em comédia o vexame dos vídeos manipulados

Publicitários na prisão: curta ironiza escândalo dos cases fakes em Cannes Lions
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Depois de um Cannes Lions 2025 marcado por polêmicas e cassações, alguém precisava rir do drama. E a agência canadense Zulu Alpha Kilo fez isso em grande estilo: o curta Catch Me If You Cannes imagina um mundo onde publicitários que falsificam cases vão parar atrás das grades, literalmente.

A história se passa em uma prisão de segurança máxima, onde criminosos confessam golpes milionários em um grupo de terapia. Tudo parece dentro da rotina do crime, até que um novo preso, um diretor de criação, revela seu “pecado”: ter inventado um case vencedor em Cannes, com resultados falsos, falas simuladas e até um cliente inexistente. O silêncio é imediato. Os presos o encaram horrorizados. A terapeuta ordena: “Tranque esse homem no buraco.”

O curta é uma sequência direta de Left-Handed Mango Chutney (2022), outra produção que já ironizava campanhas “de propósito” fabricadas para festivais, agora com ainda mais timing, depois de um ano em que o escândalo ultrapassou a ficção.

A sátira mais real do que nunca

O filme chega meses após Cannes Lions cassar o Grand Prix da DM9, conquistado com o case Efficient Way to Pay, criado para a Consul. A organização constatou que o videocase usou conteúdo manipulado por IA para simular reportagens da CNN Brasil e falas de uma palestra do TED Talks.

A cassação foi seguida pela retirada de outras campanhas da agência, incluindo Plastic Blood e Gold = Death, e marcou o maior escândalo da publicidade brasileira em 72 edições do festival. A repercussão foi tão grande que o Cannes Lions anunciou novas regras, com declaração obrigatória do uso de IA e penalidades para trabalhos que apresentem “criatividade sintética”, e a própria DM9 lançou um comitê de ética.

No curta, a sátira parece prever (ou descrever) o próprio noticiário. O publicitário fictício que confessa ter inventado um case se torna o espelho perfeito de um mercado que, entre egos e prêmios, perdeu a noção de realidade.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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