Brasil 15 jul 2025

Vivo lança "IA Delas" para reverter cenário onde só 22% dos profissionais de IA são mulheres

Projeto usa executivas da própria empresa como exemplo, incluindo Adriana Lika, chefe de IA da companhia

Vivo lança "IA Delas" para reverter cenário onde só 22% dos profissionais de IA são mulheres
IA Delas - Vivo

A Vivo decidiu enfrentar um dado incômodo: apenas 22% dos profissionais de inteligência artificial no mundo são mulheres (Fórum Econômico Mundial). O projeto "IA Delas" quer inspirar meninas e mulheres a verem na tecnologia um caminho de conquista profissional, usando as próprias executivas da empresa como exemplo.

A iniciativa ganha relevância diante de pesquisa da Oliver Wyman mostrando que só 51% das mulheres no mercado de trabalho dizem usar IA no dia a dia. O projeto criará conteúdos com depoimentos de executivas de tecnologia da Vivo, destacando Adriana Lika, que lidera o time de IA da empresa.

Por que importa: Num momento em que IA domina discussões sobre futuro do trabalho, a sub-representação feminina no setor pode perpetuar vieses e criar tecnologias que ignoram metade da população. É tentativa corporativa de intervir em pipeline de talentos que começa torto desde a escola.

https://www.instagram.com/reel/DL97F7SMbHR/

Contexto preocupante (segundo Harvard Business School):

  • Mulheres adotam ferramentas de IA 25% menos que homens
  • Gap existe em todas as regiões, setores e ocupações
  • Hesitação ligada a preocupações éticas e medo de julgamento
  • Receio de que usar IA seja visto como "atalho" ou incompetência

A estratégia da Vivo:

  • Série de conteúdos sensibilizando sobre o problema
  • Depoimentos de executivas como modelos
  • Integração com programa Pense Grande Tech (Fundação Telefônica Vivo)
  • Foco em competências digitais para educadores e estudantes

O elefante na sala: Casos como o de Timnit Gebru, demitida do Google por questionar riscos éticos de IA, mostram que o problema vai além de inspirar meninas. O setor tech ainda penaliza mulheres que levantam questões críticas sobre desenvolvimento responsável de tecnologia.

Estudos mostram que mulheres dão mais peso a ética, transparência e fairness ao avaliar ferramentas de IA. Isso deveria ser visto como vantagem competitiva, não obstáculo. Mas a realidade é que questionamentos éticos ainda são vistos como "atrapalhar inovação".

O paradoxo corporativo: Empresas como Vivo criam projetos para atrair mulheres para IA enquanto o setor tech global ainda luta com cultura que afasta profissionais femininas. É importante, mas insuficiente se não vier acompanhado de mudanças estruturais.

Dados que importam:

  • Estudo norueguês: quando políticas explicitamente permitem uso de IA, participação feminina salta para 80%
  • Mulheres seguem mais regras: quando IA é proibida, homens usam mesmo assim
  • Percepção: mulheres veem IA como menos benéfica e mais prejudicial em contextos pessoais e profissionais

O timing brasileiro: Com IA dominando agendas corporativas e educacionais, iniciativas como "IA Delas" são necessárias. O gap de gênero em tech não é novo e agora está sendo amplificado pela revolução da IA.

Se o projeto conseguir ir além de vídeos inspiracionais e criar mudanças reais em como meninas veem carreiras em tecnologia, terá cumprido papel importante. Mas o verdadeiro teste será quantas dessas meninas inspiradas conseguirão, anos depois, permanecer e prosperar num setor que ainda vê diversidade como "nice to have" e não necessidade estratégica.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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