Brasil 18 nov 2025

Xamã transforma "Se essa rua fosse minha" em rap com Carreta Furacão para Uber Moto

Wieden+Kennedy SP cria videoclipe pop urbano enquanto o STF destrava o mototáxi em São Paulo e reabre a disputa pela mobilidade

Xamã transforma "Se essa rua fosse minha" em rap com Carreta Furacão para Uber Moto
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A cantiga que todo mundo conhece ganhou outra vida: virou rap nas mãos de Xamã, ganhou a presença da Carreta Furacão e se transformou no novo videoclipe de Uber Moto. A Wieden+Kennedy SP expandiu o movimento A Cidade no Seu Ritmo com um filme que retrata a rua como ponto de encontro, disputa e pertencimento, usando estética cinematográfica e referências populares para criar um retrato mais emocional da mobilidade urbana.

Por que importa: o lançamento chega no mesmo momento em que o STF derrubou a lei que permitia municípios proibirem o mototáxi, forçando São Paulo a regulamentar o serviço até 8 de dezembro. Enquanto a discussão jurídica anda, a Uber trabalha outro flanco: construir percepção cultural para que o Uber Moto seja visto como parte natural da cidade.

Xamã ajuda a sustentar essa narrativa. Sua trajetória — batalhas de rima, periferia, ascensão pela arte — tem a mesma lógica do “corre” que o vídeo celebra. A releitura de “Se Essa Rua Fosse Minha” vira um manifesto sobre autonomia e pertencimento. A Carreta Furacão reforça o espírito de movimento que marca o imaginário urbano brasileiro.

O pano de fundo é um setor em expansão: o mototáxi já é o terceiro modal mais usado do país, presente em quase 3 mil municípios. A Uber vive um momento de crescimento global e vê em São Paulo o maior palco dessa disputa. A campanha antecipa essa regulamentação e tenta colocar o Uber Moto dentro da narrativa da cidade antes que o serviço, de fato, seja liberado.

A real: a estratégia funciona porque fala de cultura, e não de tarifa. Mas também esbarra no risco de romantizar um cotidiano que é duro para muita gente. Ainda assim, ao usar música, símbolos populares e a história de Xamã como ponte, a Uber ocupa um território que pode ser decisivo: o da imaginação urbana.

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Carlos Merigo

Carlos Merigo

Fundador do B9, host do Braincast e Cinemático. Escreve sobre mídia, publicidade e cultura digital há mais de 20 anos (geralmente tentando entender o hype antes que ele vire PowerPoint).

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