Orange prova que os jogadores da França são péssimos atores (e faz disso sua campanha pra Copa 2026)
Conceito "Mauvais acteurs, grands footballeurs" coloca Bleus em cenas de cinema americano onde fracassam comicamente; criação é da Publicis Conseil

Jogadores da seleção francesa tentam atuar em cenas de cinema hollywoodiano. Falham miseravelmente. A Orange acha isso ótimo.
"Mauvais acteurs, grands footballeurs" — maus atores, grandes jogadores — é o conceito da campanha da Orange pra Copa do Mundo 2026, criada pela Publicis Conseil. O filme coloca os Bleus em situações cinematográficas que exigem atuação. Eles não entregam. A rigidez diante da câmera, o timing errado, a expressão que não convence, tudo vira piada.
A Copa 2026 é na América do Norte. O imaginário imediato é Hollywood: blockbusters, heróis, espetáculo. A Orange pegou essa associação e subverteu. Os Bleus chegam na América, tentam fazer cinema e descobrem que ser gênio com a bola não te faz ator. O fracasso cinematográfico é o sucesso da campanha.

Quentin Delobelle, diretor de comunicação comercial da Orange France, ancorou no tom certo: "Esses jogadores que as pessoas admiram, às vezes à distância, a gente queria mostrar como realmente são: imperfeitos, engraçados, vivos. Pra Orange, apoiar os Bleus não é colocá-los num pedestal. É torná-los próximos dos franceses."

A assinatura da marca é "Human before Technology." E a campanha é a tradução mais literal possível: humanos antes de heróis. A imperfeição dos jogadores como estratégia de conexão.
A Orange é parceira da Federação Francesa de Futebol desde 2018 e patrocina o futebol profissional e amador na França há mais de 25 anos. O histórico criativo da marca em grandes competições é consistente. "Compil des Bleues" (2023), campanha da seleção feminina, foi multipremiada em Cannes Lions.
A campanha parte de uma verdade que todo mundo reconhece: jogador de futebol atuando em propaganda é quase sempre constrangedor. A maioria das marcas tenta disfarçar com edição, roteiro apertado e cortes rápidos. A Orange fez o oposto: transformou o constrangimento no conceito.



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